terça-feira, 22 de setembro de 2009

A número um do Mundo

Nos dias atuais, está ficando cada vez mais comum e recorrente o egoísmo e o individualismo exacerbado das pessoas ditas modernas. A grande maioria vive ensimesmada dentro de prisões virtuais, tendo um conceito de felicidade cada vez mais equivocado, pelo qual o importante é apenas a própria sensação de bem-estar, como se esta estivesse completamente desligada do entorno e do contexto que rodeia os pretensos felizardos.

Ou seja, todos estão se preocupando demais com os próprios umbigos - o que não deixa de ser legítimo, claro -, mas sem qualquer preocupação com as necessidades coletivas e da sociedade em geral.
É por isso que abro espaço aqui para falar de Marta. A melhor jogadora do mundo está de volta ao Brasil, onde, até o final do ano, vai defender a equipe do Santos.

Há alguns dias, houve uma partida amistosa para a apresentação do novo time feminino do Santos. Claro que a estrela era Marta. Milhares de pessoas foram até o local para prestigiá-la, bem como para assistir suas jogadas e lances geniais.

O placar já sinaliza como deve ter sido aquele jogo. Dez a zero para o time de Marta. Até aí, nenhuma surpresa.

O que achei destoante em relação ao atual estágio do comportamento humano em geral, principalmente quando há a mídia envolvida, foram as declarações das adversárias de Marta, e ao final, da própria jogadora.

Todas as meninas que enfrentaram a estrela foram unânimes em falar da humildade dela, bem como do apoio que deu a todas as jogadoras durante a partida.

A própria Marta falou, emocionada, que no transcorrer da partida chegou a vibrar muito por algumas meninas que faziam belas jogadas, como uma boa defesa feita pela goleira do time rival das "Moreninhas", quando o placar já estava muito dilatado.

Inteligente que é, Marta sabe que pratica um esporte coletivo, e que uma andorinha só não faz verão. De nada adiantaria ela continuar sendo a melhor do Mundo por anos a fio - o que é bem provável -, se não houverem mais meninas interessadas em praticar um bom futebol no seu próprio país.
Apesar de sua pouca idade e da sua origem humilde, Marta demonstrou um forte senso de coletividade e fraternidade em seu comportamento. Sabe que é uma estrela, mas não tem pretensão de brilhar sozinha, até porque não conseguiria. Usa, isso sim, dentro da sua simplicidade, o seu brilho próprio para sensibilizar e conscientizar as pessoas.
Foi necessário termos uma mulher como a melhor jogadora do mundo, para que ela fizesse o que os seus colegas homens nunca tiveram a mínima preocupação em fazer: Pensar um pouco além do próprio umbigo e usar o carisma e a projeção midiática com o objetivo de chamar atenção para uma causa maior. No caso, ela luta para que o futebol feminino seja profissionalizado e levado a sério no Brasil, o que garantirá oportunidades para muitas meninas brasileiras.

Fosse ela egoísta e egocêntrica como é a maioria da pessoas de hoje, e talvez nem voltasse a pisar no Brasil, quanto mais preocupar-se com questões estruturais do nosso país.
Isso é ter a visão do todo do qual se faz parte. É saber que é muito mais gratificante ser feliz acompanhado do que só. Parabéns, Marta.

3 comentários:

Luna Sanchez disse...

Que post bacana, moço!

Talento, humildade, senso coletivo e inteligência é quase tudo que se precisa.

Dois beijos de terça.

ℓυηα

***MissUniversoPróprio*** disse...

É maravilhoso ver que o mundo ainda não está de todo perdido, não é?

Marta é mesmo um exemplo a ser seguido.

Grande beijo e obrigada pelas palavras lá no blog. Desculpa a demora em responder, estou com muito trabalho. =*****

Altavolt disse...

Luna: Na verdade, não precisamos de muita coisa para sermos realmente felizes!

Miss: Ainda há esperança! Cabe a nós, cidadãos bem-intencionados, propagar esses ideiais e essas práticas!

Beijos pras duas!

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