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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CUIDADO: HOMENS NÃO TRABALHANDO

Charge de Bennet, que de alguma
 forma ilustra esta postagem.

Ao assistir aos telejornais da nossa mídia, que também não é, nem nunca foi, flor que se cheire, nos deparamos todas as manhãs com denúncias seletivas, mas nem por isso menos emblemáticas, do mau uso e da má fé inerentes às coisas e aos órgãos públicos.

São cenas lamentáveis de descaso com os cidadãos e com os usuários desses serviços, que deveriam ser públicos e realmente prestar atendimentos, cada qual na sua finalidade, aos brasileiros que a essas repartições ou instâncias necessitem recorrer em determinadas alturas de suas vidas.

Hoje, por exemplo, vi o caso de um renomado instituto de saúde de São Paulo, que está deixando seus pacientes idosos e infartados sentados por horas a fio à espera de atendimento, exames e medicamentos.

Quando se pergunta qual o motivo daquela barbárie, normalmente ouvimos as mesmas cantilenas dos seus gestores e administradores, que invariavelmente alegam falta ou insuficiência de recursos.  

Os recursos até podem realmente ser menores do que o necessário, mas como se explica aquela situação de total abandono e descaso para com os contribuintes e cidadãos? Ali, não se vê boa vontade ou agilidade para nada. Todos, com raríssimas e honrosas exceções, se encostam na tal da falta de recursos e deixam a coisa descambar e degringolar de vez, nos fazendo a todos presenciar cenas dantescas do mais genuíno desrespeito a que seres humanos podem ser submetidos, justamente nos momentos em que estão mais frágeis e carentes de cuidados.

É comum no Brasil afirmarmos de boca cheia que os políticos são todos corruptos. Mas, e nós? Se como agentes e funcionários públicos também permitimos que esses desserviços sejam prestados à população e nos acovardamos diante das situações e nada, absolutamente nada, fazemos para torná-la um pouco melhor e menos desumana. O que somos nós? Omissos, preguiçosos, covardes, inoperantes? 

Percebo no serviço público brasileiro uma avidez por verbas, colocações e benesses, mas não sinto que nem 10% dessa sanha por poder e status se transformem em resultados positivos para aquele que mais precisa e que é a razão dos entes públicos existirem: o cidadão.

Nenhuma instituição pública ou seus administradores, agentes e funcionários, podem estar acima da finalidade para a qual foi criada. A prestação de serviços de qualidade à população é o único motivo para a existência de um hospital, de uma universidade, de uma autarquia governamental ou de um órgão de governo. Para mais nada deveriam se prestar, a não ser atender, e bem, aos seus usuários. 

As vergonhas que os agentes, órgãos e entidades públicas brasileiras nos têm feito passar, com suas más gestões, ingerências e arrogâncias fora de contexto e lugar, já passaram da hora de serem extirpadas da vida cotidiana. 

Parafraseando Kennedy, tanto funcionários públicos, quanto dirigentes e políticos, precisam parar e se perguntar o que o Brasil está esperando e necessitando que eles façam, e não somente perguntar aquilo que o Brasil pode fazer por eles. 

Já passou da hora da eficiência, em prol dos usuários e da sociedade, começar a pautar todas as condutas dos agentes públicos, fazendo com que todos colaborem no mais alto grau do seu potencial e da sua instrução. Sem roubalheiras, sem desvios, sem descaso, sem preguiça e sem hipocrisia. 

Se todos cuidam dos seus bens pessoais e particulares com um afinco até maior do que o necessário, muitas vezes se locupletando com o erário, por que não podem dispender um pouco dessa preocupação com a coisa e os serviços públicos? 

Podemos todos, de alto abaixo, principalmente os cargos de comando e gestão, fazer muito mais e exigir muito menos em troca, basta querer. Não é só com dinheiro que se faz o melhor. Há também outras formas de fazê-lo, e boa vontade e empenho são as principais.

Mais empenho e menos corrupção, roubalheira, hipocrisia e descaso em todo o serviço público brasileiro, dos cargos mais humildes aos senhores doutores que comandam tudo, principalmente estes últimos. 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

OUTRO JEITO DE SER HUMANO É POSSÍVEL

Ultimamente, tenho notado, talvez por causa das redes sociais, que tanto facilitam a circulação de todos os tipos de ideias e propostas, que muita gente tem descido, cada vez mais, a lenha em nós mesmos, os humanos. 


Postam as brincadeiras de um lindo cãozinho e em seguida alguma patada na raça humana, do tipo: só os animais são sinceros, só os animais são leais, só os animais são puros... e por aí vai. 

Se o objeto da postagem é uma paisagem ou algum fenômeno natural, lá vem as comparações e cacetadas na humanidade, do tipo: a natureza é bela, quem a estraga somos nós, e coisas do gênero.

Em relação aos políticos, também não é diferente: ninguém presta, ninguém vale nada e todos são extremamente corruptos. É esse o senso comum e é isso que parece estar arraigado no âmago da maioria dos brasileiros.   

Ou seja, falamos do homem em geral como se nós também não fizéssemos parte da humanidade. Tudo no outro é errado, corrompido, pecaminoso, injusto, mas não em nós. Nós sempre somos os salvadores da Terra, a quem nenhuma fraqueza moral, espiritual ou real pode abater. Errados são sempre os outros. 

É cada vez mais comum a célebre frase: prefiro os animais, eles são puros e honestos. Como se nós também não fôssemos animais. Racionais, mas também animais. 

São repetidas postagens mostrando os bichinhos em momentos de extrema graça, fofura e delicadeza, como se nós também não pudéssemos, se quiséssemos, agir daquela maneira com tudo e todos que estão à nossa volta.

Considero um comodismo preguiçoso e modorrento esse de achar que o irracional é belo e perfeito, enquanto nós, racionais, não prestamos e não fazemos nada de bom pelo mundo. 

Se existem tantas pessoas fazendo tudo errado, e concordo que não são poucas, cabe também a nós fazer o melhor que pudermos para mostrar que outro jeito de ser humano é possível.

Entendo que essa postura de cultivar o irracional e o inanimado como entidades acima do bem e do mal, em detrimento de nós, homens e mulheres, não nos leva objetivamente a lugar algum. 

A natureza é belíssima, mas nós somos parte integrante dela. Se não estamos fazendo por merecer esse respeito e essa dignidade dirigidos aos demais seres, talvez seja mais um motivo para nos avaliarmos, nos reciclarmos e procurarmos melhorar enquanto indivíduos. 

Acho que não somos tão ruins assim e que o mundo está cheio de gente boa, honesta e solidária, mas que andam encobertas e eclipsadas pelas pessoas corruptas, corrompidas, más, egoístas, ditatoriais e bandidas, que tanto permeiam a sociedade atual. 

A humanidade tem jeito porque nós também fazemos parte dela e podemos mudar esse quadro. A decência, a verdade, o caráter, a fibra, a honestidade, a compaixão, a solidariedade e o amor precisam virar esse jogo, que estamos perdendo de forma tão bisonha, e de goleada. O bicho homem também pode ser bonito e gracioso, e essa beleza está em nossas mãos, ao nosso alcance.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

IMPOTÊNCIA CIVIL

Talvez isso aconteça com muitas pessoas, talvez não, somente com aquelas que por algum motivo não sejam dotadas de toda a força, fé, coragem e destemor que os grandes homens e mulheres apresentam em suas vidas. Mas, apesar de todas as facilidades atuais de comunicação e manifestação, ainda me sinto absolutamente impotente diante de tantos aspectos e questões da nossa vida em sociedade.

É muito difícil acompanhar os acontecimentos sem nada de concreto e determinante poder fazer. É triste e repugnante saber todos os dias, dos inúmeros desmandos cometidos por pessoas que simplesmente por terem recursos financeiros - na maioria das vezes, angariados de maneira ilícita ou herdados de mão-beijada - se acham no direito de, com o único intuito de capitalizar e monetizar todas as coisas, cometer arbitrariedades e atrocidades contra gente humilde, em condição social menos privilegiada e inferiorizada. O sentimento de impotência é total quando vemos que as notícias e informações são veiculadas de maneira parcial e distorcida, pelos grandes monopólios de comunicação no Brasil. Sentir que a opinião pública e o senso comum do brasileiro são formados essencialmente por esses famigerados e mal-intencionados meios de informação. Constatar que a maior rede de televisão do país pauta a maioria dos assuntos e enfoques para o cidadão mediano, que sai pelas ruas a propagar inverdades e absurdos, plantados por décadas nas sua cabeça, diuturnamente, pela veiculação de uma grade de programação esdrúxula e de baixo nível, que privilegia a violência, a traição, a mentira, a cobiça, o preconceito e tantos outros “desvalores” tão cultuados pela sociedade atual. E que essa mesma rede de televisão privilegia artistas, cantores e celebridades de gosto, conteúdo e postura completamente duvidosos, alçando-os à condição de astros e estrelas, sendo endeusados pela massa, que, infelizmente, não aprendeu a gostar de pessoas, programas, músicas e livros com conteúdos que valessem à pena ser divulgados, propalados e verdadeiramente nos representassem enquanto povo e nação. Além disso, se sentir impotente diante do fato de que cada vez mais se deixa de valorizar o que cada região do Brasil tem de mais rico nas suas autênticas manifestações culturais, passando o país todo a se comportar, a agir e a idolatrar as mesmas coisas e pessoas, independentemente do estado em que estejamos. Impotente diante da massificação rasteira que vem acontecendo no Brasil, privilegiando-se sempre a manifestação "artística" mais rasa, mais chula e menos pensante. Além disso, haja sentimento de impotência ao ver que apenas os interesses corporativistas, dos latifundiários, dos oligopólios e dos empresários são defendidos com unhas e dentes nas câmaras, nas assembleias e no congresso nacional pelos nossos "representantes". Impotência e tristeza extremas em ver que o governo federal atual, dotado de muito boas intenções, não consegue por em prática grande parte delas devido à famigerada governabilidade com partidos aliados, que se tornou uma praga na política brasileira, a qual só se resolverá com uma séria e profunda reforma política a ser feita no Brasil, alterando-se a forma, e tornando-a mais direta, de como nós, o povo, passaremos a ser representados junto aos governos, em todos as esferas da administração pública. Grande impotência também diante das barbaridades e intolerâncias que somos obrigados a presenciar ou saber, todos os dias, cometidas por pessoas que se entendem como donas da verdade e da razão, que se arvoram a distratar, discriminar e até mesmo agredir e assassinar cidadãos que pensam e agem de maneira diferente da sua, seja por questões de etnia e origem diferentes ou de nível social e situação financeira inferiores. Enfim, sinto-me completamente impotente, por mais que fale, tente dar o exemplo ou faça, diante dessas questões tão presentes e tão pungentes em nosso cotidiano, tidas por muitos - e isso é o mais triste - como aceitáveis, normais e imutáveis. É doloroso perceber que muita gente, talvez a maioria, aceite esse estado de coisas e absurdos, sem tomar qualquer atitude ou posição, apenas seguindo com sua vida, se lamentando em vão, mas sem nada de concreto fazer para mudar, mesmo que minimamente, e apenas no seu pequeno entorno, todo esse absurdo modo de viver e ver a vida. A impotência civil é avassaladora diante do fato, que acaba perpassando todos os absurdos aqui relatados - e muitíssimos outros, que não me ocorreram agora, mas que estão entranhados no mundo atual -, de que alguns indivíduos, por quaisquer motivos ou razões que sejam, se achem, sejam encarados e estejam em posição superior e dominadora em relação a outros seres humanos.       

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

COMO EU QUERIA TER UM CÉREBRO COMO O SEU...

Se eu tivesse um cérebro, poderia fazer tantas coisas que você faz...


Poderia ler a maior revista semanal do país e ficar bem informado. Poderia ler os jornalões e fazer minha cabeça. Poderia assistir o BBB, o Jornal Nacional e as novelas e ficar cada dia mais antenado com as tendências modernas. Poderia acompanhar o futebol como se fosse uma coisa séria e decente, na qual o melhor time normalmente ganha, sem tapetões, roubalheira, violência ou corrupção. Poderia curtir as músicas mais pedidas pelos ouvintes e mais divulgadas pelos excelentes programas de auditório que temos em nossa TV. Nossa! Quanta coisa eu poderia fazer se tivesse um cérebro! Poderia consumir avidamente todas as novidades do mercado, seja eletrônico, seja automobilístico. Poderia seguir todos os modismos alimentares e esportivos e contratar personal para todas as atividades da minha vida. Poderia me achar melhor do que as outras pessoas, pelos mais variados motivos, fossem eles raciais, sociais, sexuais, pessoais, religiosos ou qualquer outro. E é claro que isso me daria o aval moral para criticar e discriminar os outros a torto e a direito. Com um cérebro igual ao seu, eu poderia gritar nas ruas contra a corrupção, mesmo que no meu dia-a-dia usasse de práticas como furar a fila e desrespeitar lugares e vagas reservados para idosos e pessoas com deficiência. Com um cérebro, eu poderia estar nas redes sociais dia e noite, cheio de coragem, fazendo os comentários mais estapafúrdios e preconceituosos. Poxa vida! Quanta coisa boa eu poderia fazer se tivesse um cérebro. Com um cérebro eu poderia manter todas essas conquistas. Por que será que Deus não me deu um?

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