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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

COMO EU QUERIA TER UM CÉREBRO COMO O SEU...

Se eu tivesse um cérebro, poderia fazer tantas coisas que você faz...


Poderia ler a maior revista semanal do país e ficar bem informado. Poderia ler os jornalões e fazer minha cabeça. Poderia assistir o BBB, o Jornal Nacional e as novelas e ficar cada dia mais antenado com as tendências modernas. Poderia acompanhar o futebol como se fosse uma coisa séria e decente, na qual o melhor time normalmente ganha, sem tapetões, roubalheira, violência ou corrupção. Poderia curtir as músicas mais pedidas pelos ouvintes e mais divulgadas pelos excelentes programas de auditório que temos em nossa TV. Nossa! Quanta coisa eu poderia fazer se tivesse um cérebro! Poderia consumir avidamente todas as novidades do mercado, seja eletrônico, seja automobilístico. Poderia seguir todos os modismos alimentares e esportivos e contratar personal para todas as atividades da minha vida. Poderia me achar melhor do que as outras pessoas, pelos mais variados motivos, fossem eles raciais, sociais, sexuais, pessoais, religiosos ou qualquer outro. E é claro que isso me daria o aval moral para criticar e discriminar os outros a torto e a direito. Com um cérebro igual ao seu, eu poderia gritar nas ruas contra a corrupção, mesmo que no meu dia-a-dia usasse de práticas como furar a fila e desrespeitar lugares e vagas reservados para idosos e pessoas com deficiência. Com um cérebro, eu poderia estar nas redes sociais dia e noite, cheio de coragem, fazendo os comentários mais estapafúrdios e preconceituosos. Poxa vida! Quanta coisa boa eu poderia fazer se tivesse um cérebro. Com um cérebro eu poderia manter todas essas conquistas. Por que será que Deus não me deu um?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O que faz você feliz? (Não é propaganda de supermercado)

Planeta Terra. 2013. Chegou-se a um estágio avançado da sociedade em que as pessoas se acham felizes apenas e tão somente por conseguirem adquirir e ostentar bens de consumo altamente renováveis com a maior rapidez possível e antes que os outros mortais o façam. A maioria também parece ficar muito feliz e satisfeita só em poder frequentar os modernos templos do consumo com toda a família, pois são lugares seguros, bonitos, limpos, que oferecem produtos, serviços, gastronomia e lazer dentro dos padrões de assepsia e apresentação tidos como aceitáveis e muito desejáveis, ainda que altamente industrializados e padronizados. Não importa, para quem é, ou parece ser feliz, se nem todos têm acesso a esse fantástico mundo de modernidade e alegria. Aliás - para esse padrão de felicidade, imposto pelo mercado em geral, e especialmente pelas transnacionais, pelos bancos, pela propaganda e pela mídia -, faz parte do pacote que nem todos possam ter acesso a tudo de bom que o mundo moderno oferece. Somente os escolhidos. E assim, muita gente se esfalfa para se enquadrar naqueles conceitos e estereótipos de homens, mulheres e crianças bem-sucedidos. O sucesso e a felicidade são assegurados apenas àqueles que contam, desde o nascimento, com boas estruturas financeiras familiares e bom respaldo educacional, os quais irão perpetuar a manutenção daquela boa cepa de gente nas linhas de frente, de mando e de comando da sociedade. O mundo caminhou até chegar ao estágio atual, no qual as pessoas valem pelo que têm e o culto à personalidade e às aparências, bem como a idolatria a muitas coisas materiais e palpáveis, suplantou qualquer outro aspecto espiritual ou sentimental que eventualmente pudesse nortear as relações humanas. As pessoas estão felizes ou infelizes, dependendo apenas de terem ou ainda não terem adquirido os seus mais recentes objetos de desejo, tão propagandeados e disseminados pelos ferozes e predatórios meios de comunicação. Essa infelicidade dura até a satisfação desse desejo. Satisfeito aquele desejo da vez, a sensação fugaz de felicidade logo passa, pois outros chamados começam a incomodar e a impacientar os nossos felizardos temporários. Tal qual um dependente químico, as pessoas entram em crise de abstinência por ainda não terem consumido aquilo que o deus mercado manda e impõe como sendo indispensável e sem o qual o cidadão estará incompleto e em desigualdade de condições com o mundo que o rodeia. É preciso trocar o carro, mesmo que o seu ainda esteja cumprindo perfeitamente a missão a que se destina. É preciso ter o último modelo de iphone da semana. É imprescindível comprar em dez vezes no cartão de crédito a última versão da TV de plasma. É de vital importância estar com o cabelo tratado dentro da última técnica surgida para tal cuidado. É tão necessário parecer feliz dentro dos conceitos difundidos e tidos como padrões, que o sujeito precisa sempre estar com as suas fotos e informações atualizadas em tempo real na WEB, como se disso dependesse a continuidade da humanidade. É preciso estar conectado e interagindo virtualmente o tempo todo, mesmo que isso faça com que você deixe de manter contato e trocar ideias com as pessoas que, na realidade, estejam sempre ao seu lado. É preciso usar o sapato do momento, cortar e arrumar o cabelo com o estilo do momento, ouvir a música do momento, vestir a roupa da estação, exalar o cheiro comercializado no momento, entre tantas outras atitudes exigidas e esperadas da pessoa que se entenda como do seu tempo. 

Será que são somente essas ideias e coisas que realmente nos fazem felizes? Será que ser supostamente feliz e ostentar em um meio em que nem todos podem ter as mesmas coisas que você é benéfico ou maléfico para a sociedade? O homem vale pelo que é ou pelo que tem? Qual seria o motivo de alguns terem coisas e desfrutarem mordomias às quais a maioria não tem acesso? Isso é justo? É moral? É lógico? Haveria os escolhidos de Deus? Por que alguns são mais bem tratados e respeitados do que os outros? Seria possível vivermos numa sociedade mais justa e igualitária, com educação e oportunidades para todos, desde pequeninos? Seria possível e viável uma sociedade na qual não houvesse qualquer tipo de distinção entre seres humanos? Seria sustentável uma sociedade em que todos fossem respeitados e tivessem as condições mínimas de dignidade e conforto para viver? Existem seres humanos que valem mais do que os outros?

Perguntas que ficam no ar. Como a principal delas: O que tenho feito para tornar este mundo melhor, mais justo, mais feliz e mais humano para todos?    

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Então, de novo, é Natal... E o que você fará?

Novamente nos aproximamos rapidamente do dia de Natal. As mesmas repetitivas e exaustivas reportagens sobre o aumento do consumo e do endividamento das famílias nessa época tão supostamente feliz. Invariavelmente, mostram as pessoas se esfalfando em shoppings e ruas do comércio popular com o intuito de comprar os famigerados presentes da moda para todos os amigos e familiares. A mim causa estranheza que a maioria dessas pessoas, que correm freneticamente nesse período, muitas vezes nem lembrem exatamente qual é o principal motivo da celebração do Natal, tamanha é a avidez por adquirir tudo aquilo que está em voga nesta estação, bem como presentear a todos com essas coisinhas, que não serão sequer lembradas daqui a um ano. Percebo que a grande maioria se empolga com as festas de final de ano, com os famigerados amigos secretos ou ocultos, como queiram, mas não vejo quase ninguém lembrar com a devida atenção do aniversariante e de todos os ensinamentos que ele nos deixou quando passou por esta Terra. Muitos passam a ser extremamente generosos neste período, como se a generosidade e a solidariedade não coubessem em outras épocas, ou melhor, em todas as outras épocas e dias de todos os anos de nossas vidas. O sentimento cristão de enxergar o próximo, de viver em comunhão com os outros, de ser solidário, de pensar um pouco mais no coletivo e menos no individual, tudo isso deveria ser praticado por todos de maneira incessante e ininterrupta. No entanto, tirando o período de festas, nas demais épocas do ano o que vemos é a exacerbação máxima do individualismo e do egoísmo. Da violência, da maldade e da ignorância. Das injustiças, dos preconceitos, das diferenciações e distinções em todas as esferas entre pobres e ricos, entre quem pode e quem não pode pagar. As pessoas tem valido apenas pelo seu poder de consumo e por sua capacidade econômica. Não estamos dando a mínima para a formação das nossas crianças e jovens, que têm se tornado cada vez mais despreparados, consumistas e individualistas. O que vejo em quase todos os meios em que vivo, ou nas situações que presencio, é a grande voracidade das pessoas por se darem bem individualmente, em fazer crescer o seu patrimônio, muitas vezes de maneira ilícita e corrupta, prejudicando terceiros e até pessoas próximas e mais humildes. Poucos têm sido os exemplos de honradez, retidão de caráter e hombridade, apesar de que eles existem, e quando os vemos, ficamos espantados, como se tais gestos fossem muito estranhos, quase bizarros. Ser honesto, nestes tempos mercantilizados, passou a ser uma virtude, quando, na verdade, ser honesto é um dever de qualquer cidadão, sempre. Pessoalmente, não consigo passar bem e feliz por essas comemorações, pois, diante do nosso dia a dia turbulento e desumano, considero demasiada hipocrisia que de repente todas as pessoas passem a se cumprimentar efusivamente, aos beijos e abraços, após terem passado o ano inteiro se maldizendo e se desrespeitando. Claro, sou obrigado a concordar que sempre é tempo para a reconciliação e o entendimento entre as pessoas, mas percebo que tais reuniões de fato duram muito pouco, acabando já antes do Carnaval, outro período em que as pessoas voltam a se individualizar extremamente, sendo que para algumas parece que o mundo irá se acabar nessas folias de Momo. Como não sei o que dar para cada um de vocês, e acho que todos nós estamos precisando muito mais de reflexão e carinho do que de festas, bebidas, presentes e modismos, deixo aqui as minhas impressões e sensações pessoais do que entendo ser uma justa e correta comemoração do aniversário de Jesus. Penso que o melhor presente para Ele seria que todos nós passássemos a viver de maneira boa e simples; coletiva e justa; sem que as posses, o dinheiro e os bens materiais e de consumo pautassem as nossas relações da maneira tão marcante como tem acontecido em nossas vidas. Que as pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que têm ou representam na sociedade. Que enalteçamos os talentos e os dons daqueles que os têm, mas que jamais deixemos de perceber que por mais simples que sejam as vocações das pessoas, todos nós as temos, e estamos neste mundo para vivermos como verdadeiros irmãos, nos auxiliando, nos apoiando, de maneira sincera e leal, dia a dia, e não apenas nas épocas e das formas predeterminadas pelos que detêm o poder e o dinheiro. São a simplicidade, a solidariedade e a bondade o maior legado que nos deixou o nosso pai, cujo aniversário é o grande motivo de comemoração do próximo dia 25 de dezembro, muito embora às vezes pareçamos esquecer completamente disso. 
 
Feliz Natal a todos, de verdade!!! E que em 2013 possamos começar a encontrar, todos nós, e para todos, tantas coisas das quais estamos realmente precisando.
 

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