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terça-feira, 23 de setembro de 2014

OUTRO JEITO DE SER HUMANO É POSSÍVEL

Ultimamente, tenho notado, talvez por causa das redes sociais, que tanto facilitam a circulação de todos os tipos de ideias e propostas, que muita gente tem descido, cada vez mais, a lenha em nós mesmos, os humanos. 


Postam as brincadeiras de um lindo cãozinho e em seguida alguma patada na raça humana, do tipo: só os animais são sinceros, só os animais são leais, só os animais são puros... e por aí vai. 

Se o objeto da postagem é uma paisagem ou algum fenômeno natural, lá vem as comparações e cacetadas na humanidade, do tipo: a natureza é bela, quem a estraga somos nós, e coisas do gênero.

Em relação aos políticos, também não é diferente: ninguém presta, ninguém vale nada e todos são extremamente corruptos. É esse o senso comum e é isso que parece estar arraigado no âmago da maioria dos brasileiros.   

Ou seja, falamos do homem em geral como se nós também não fizéssemos parte da humanidade. Tudo no outro é errado, corrompido, pecaminoso, injusto, mas não em nós. Nós sempre somos os salvadores da Terra, a quem nenhuma fraqueza moral, espiritual ou real pode abater. Errados são sempre os outros. 

É cada vez mais comum a célebre frase: prefiro os animais, eles são puros e honestos. Como se nós também não fôssemos animais. Racionais, mas também animais. 

São repetidas postagens mostrando os bichinhos em momentos de extrema graça, fofura e delicadeza, como se nós também não pudéssemos, se quiséssemos, agir daquela maneira com tudo e todos que estão à nossa volta.

Considero um comodismo preguiçoso e modorrento esse de achar que o irracional é belo e perfeito, enquanto nós, racionais, não prestamos e não fazemos nada de bom pelo mundo. 

Se existem tantas pessoas fazendo tudo errado, e concordo que não são poucas, cabe também a nós fazer o melhor que pudermos para mostrar que outro jeito de ser humano é possível.

Entendo que essa postura de cultivar o irracional e o inanimado como entidades acima do bem e do mal, em detrimento de nós, homens e mulheres, não nos leva objetivamente a lugar algum. 

A natureza é belíssima, mas nós somos parte integrante dela. Se não estamos fazendo por merecer esse respeito e essa dignidade dirigidos aos demais seres, talvez seja mais um motivo para nos avaliarmos, nos reciclarmos e procurarmos melhorar enquanto indivíduos. 

Acho que não somos tão ruins assim e que o mundo está cheio de gente boa, honesta e solidária, mas que andam encobertas e eclipsadas pelas pessoas corruptas, corrompidas, más, egoístas, ditatoriais e bandidas, que tanto permeiam a sociedade atual. 

A humanidade tem jeito porque nós também fazemos parte dela e podemos mudar esse quadro. A decência, a verdade, o caráter, a fibra, a honestidade, a compaixão, a solidariedade e o amor precisam virar esse jogo, que estamos perdendo de forma tão bisonha, e de goleada. O bicho homem também pode ser bonito e gracioso, e essa beleza está em nossas mãos, ao nosso alcance.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reumanize-se

Depois de andar meio cansado, principalmente das "pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas", estou de volta em doses homeopáticas. Agradeço demais aos amigos que deram força para que eu pudesse retomar a caminhada.

Tem horas que a gente se cansa mesmo de "tanta babaquice, de tanta caretice e dessa eterna falta do que falar", mas, "vamos pedir piedade, senhor piedade, pra essa gente careta e covarde. Deus lhes dê grandeza e um pouco de coragem".
Não sei porque, mas hoje acordei tendo o Cazuza como porta-voz. É óbvio que é porque ele sempre falou aquilo que muitos queriam falar, mas nunca tiveram coragem. Inclusive eu.

Mas, tenho certeza, se Cazuza estivesse vivo hoje, estaria certamente ainda mais revoltado com os rumos que tem tomado a nossa querida humanidade. Ele sempre foi muito contrário à hipocrisia e à falta de autenticidade no ser humano e, atualmente, isso é o que mais presenciamos no nosso cotidiano. Está certo que o ser humano sempre destilou suas doses de veneno, bem como agiu, muitas vezes, de maneira canalha e egoísta, mas, agora, isso tem sido muito recorrente, quase regra.

Enganar, trapacear, enrolar e mentir para se dar bem em cima dos outros têm sido práticas corriqueiras (e tidas por muitos como válidas!) em nossa sociedade de ultra-consumo.

Estamos modernos demais em alguns aspectos de nossa vidas, mas estamos regredindo aos períodos pré-históricos em outros. Temos colocado muitas coisas e interesses acima do próprio ser humano. E acho isso lamentável. Reumanizemo-nos urgentemente!
Precisamos passar a ter novamente (se é que já o tivemos) o ser humano como ponto central em todas as esferas de nossas vidas.

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