
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A cidade dos carros

quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Robozinho valente volta ao inferno de Dante
Todos os dias, o robozinho - guiado pelo seu quixotesco e estoico guardião, o cavaleiro navegante Dan Robson - é acompanhado pela equipe de reportagem da Globo.
Durante as transmissões, são recorrentes as esperadas e padronizadas caras e bocas de espanto dos apresentadores dos telejornais. Como se a situação horripilante do Rio Tietê pudesse ser novidade, mesmo para o mais desligado paulistano.
A única conclusão possível, diante dessa segunda e tresloucada jornada, é que a situação é igual, se não pior do que em 2009, e que nada foi efetivamente feito, por nenhuma instância, para reverter o quadro dantesco do Rio Tietê.

Foi iniciada nesta terça-feira, 01/09/09, com pompa, circunstância, transmissões e relatos ao vivo, uma jornada no mínimo insólita. A Globo está patrocinando a viagem de um flutuador, que mais parece um robozinho ou um satélite, o qual terá a ingrata missão de percorrer 500 Km do Rio Tietê, coletando informações, dados e imagens sobre a vida (?) e a quantidade de oxigênio de suas águas imundas, espessas e pardacentas.
São públicos e notórios os altíssimos níveis de poluição do Rio Tietê, pelo menos na parte que corta a grande São Paulo, causados principalmente pelos esgotos e dejetos industriais lançados sem o menor cuidado nas suas águas.
Parafraseando jornadas famosas, concluímos que essa tresloucada expedição será uma autêntica viagem ao fundo da merda.
Nos primeiros dias, o robozinho irá navegar por águas mais limpas, próximas da nascente do Tietê. O bicho vai pegar na medida em que ele for se aproximando da capital. Nem sei se alguns trechos ainda são navegáveis, dada a densidade de suas águas marrons. Talvez o aparato venha a encalhar em alguns pontos das águas embosteadas do rio.
O que me espanta é o ar de desbravadores do rio que os apresentadores dos telejornais da emissora têm adotado. O entusiasmo e a alegria com que noticiam os avanços do projeto, que, ao menos em tese terá duração de um mês. Isso, se o sofisticado equipamento não vier a se desintegrar nas ácidas águas em que irá navegar.
Outro ponto em que os globais dão muita ênfase é o envio de imagens a serem coletadas durante a empreitada. Não consigo deixar de imaginar as belas imagens a serem fotografadas, e transmitidas em tempo real, no período crítico, quando o flutuador estiver navegando quilômetros e quilômetros literalmente na merda.
Quanto à vida nesse trecho do rio, só vejo a possibilidade de encontrarem uma única espécie, cuja resistência é descomunal, são os famosos peixes de origem nipônica, os toroços. Esses deverão ser muito fotografados pelo heroico robozinho.
É importante lembrar, que a engenhoca será sempre pajeada por um atleta do remo, a quem eu sinceramente desejo toda a sorte do mundo, tendo em vista os caminhos pútridos nos quais irá se aventurar.
No final das contas, ao fim da penosa viagem, teremos um amplo painel dos níveis de merda existentes no Rio Tietê. Nunca nenhuma iniciativa foi tão desbravadora e corajosa. Durante anos a fio esperamos uma medida como essa, que pudesse comprovar cientificamente aquilo que os olhos e narizes dos paulistanos já conhecem de longe.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A dança do João Sorrisão

quinta-feira, 7 de julho de 2011
O escriturário enxerido
Com a atual avalanche de informações e fontes na web, até o enxerido escriturário se arvora a dar pitacos nos mais variados assuntos e temas cotidianos.
Sua formação profissional não é exatamente na área da comunicação, mas, de qualquer forma, quer participar da aldeia global de informações que se estabeleceu no mundo e encurtou distâncias.
O enxerido quer fazer valer a sua opinião e o seu ponto de vista. Usa os blogs e o Twitter para postar sobre os mais variados temas, achando que alguém talvez possa achar interessante aquela ideia jogada repentinamente na infomaré de Gilberto Gil.
Mas a infomaré já está tomando jeito de tsunami, tamanha a quantidade de informações, ideias e besteiras (essas, talvez, mais do que tudo) que vem engrossando suas águas.
As pessoas mais postam do que lêem. A maioria quer ser ouvida, mas já não se preocupa tanto em saber o que os outros pensam.
No Twitter, há uma competição, já não tão velada assim, para saber quem tem mais seguidores. Como se apenas o número de seguidores, por si só, já conferisse o status de autoridade da web a esse tuiteiro.
Eventualmente, na minoria dos casos, surge uma discussão construtiva e producente no Twitter. Na maioria das vezes, as postagens se resumem a banalidades e frivolidades do cotidiano das pessoas, que, em tese, pouco deveriam interessar a terceiros.
No entanto, quando essas informações fúteis são postadas por celebridades, costumam causar muita repercussão, mesmo que o tema abordado não tenha nenhuma relevância ou importância.
Por outro lado, importantes jornais e veículos de comunicação estão, cada vez mais, sendo caixa de ressonância de muitas dessas banalidades postadas na internet. É como se a comunicação tivesse sido nivelada por baixo. Até os órgãos que um dia foram respeitados pela austeridade, hoje cedem espaços cada vez mais generosos de suas páginas às frivolidades.
É claro que, com isso, deixam de abordar assuntos e temas de real interesse da sociedade. Mas quem vai se preocupar com coisas importantes como educação, cidadania, saúde, moradia, reforma agrária, se há tantas notícias leves e factoides pululando todos os dias?
É por isso que o enxerido lá do começo, que, como todo tuiteiro e blogueiro sem prestígio tem menos seguidores do que seguidos, continua metendo o bedelho aonde não é chamado, nem querido.
O enxerido não é jornalista, não é crítico, não é da mídia, não é artista, mas tem opinião própria e quer expressá-la, mesmo que ninguém dê a menor importância.
Escriturário que é, esperam dele apenas ações e providências administrativas, o que já foi abordado anteriormente neste blog. Para maiores detalhes de sua rotina, basta se enroscar nesta curva de rio aqui.
E assim segue o enxerido escriturário na sua faina diária, metendo a colher de pau nos assuntos mundanos e alheios, mesmo que não receba nada por isso, muito pelo contrário.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O bom e o bonzinho
Esta vai para todas essas pessoas muito parecidas entre si, que andam às pencas por aí. Com o corte de cabelo padrão, com os trajes padrão, com as expressões e chavões padrão. Pessoas com falsos sorrisinhos de cordialidade no canto da boca. Treinadas para parecerem educadas e eficientes, abusando da praga do gerundismo. Pessoas que, no fim, só se preocupam com a enorme área adjacente ao próprio umbigo. Não estão nem aí para o coletivo, nem para os próximos que as rodeiam.
Hoje, prega-se das mais variadas formas, que o cidadão moderno deva ser bonzinho. Ele deve se enquadrar e comportar-se de determinadas maneiras, e dentro de certos critérios e padrões, caso almeje alguma conquista, seja pessoal, seja profissional.
Há inúmeras cartilhas de etiquetas, que ditam aquilo que pode ou não ser feito ou dito em determinadas situações clichês, como entrevistas de emprego, encontros amorosos e compromissos oficiais e sociais.
Para cada situação, o sujeito deve usar uma persona, uma máscara, um comportamento. Mais do que nunca, a sociedade está se baseando nas aparências, e não nas essências dos indivíduos.
Em muitos meios de trabalho e atividades, a pessoa pode ser competentíssima, talentosíssima, porém, se não estiver envergando os trajes da moda atual, nem com a aparência que a mídia diz ser a aparência padrão atual, certamente estará fadada ao fracasso, seja na seleção, na entrevista ou na dinâmica de grupo.
Atualmente, a única exceção para esse conjunto de regras são os concursos públicos, que têm se pautado pela objetividade na seleção das pessoas. Num concurso honesto, bem realizado e transparente, certamente as pessoas melhor preparadas e com mais conteúdo serão as aprovadas. Não necessariamente as mais bonitas e bem apresentadas nos aspectos físicos e de vestimentas.
Nessa ordem toda de arranjos para que a aparência e a presença física e o carisma ditem as normas e os padrões, outra coisa tem me saltado aos olhos. O fato das pessoas serem, de alguma forma, compelidas a parecer boazinhas e inofensivas. Note bem, eu disse parecer boazinhas. Não precisam ser boas de verdade. Mas têm que ostentar uma aura de beleza, de delicadeza, de serem aparentemente inofensivas aos demais participantes dos grupos em que estejam inseridas.
Na verdade, a meu ver, as pessoas cada vez menos precisam ser genuinamente boas, mas precisam, isso sim, parecer boazinhas, só isso.
Isso leva a algumas situações limites, em que tais pessoas, ditas boazinhas, podem vir a agir de maneira completamente egoísta, leviana e racional, pensando só em si e nos seus interesses, em detrimentos dos demais.
Para mim, esses sustos e surpresas negativas, que todos nós tomamos com certas atitudes de pessoas “boazinhas”, apenas revelam que elas são, na realidade, só isso, boazinhas. Não são pessoas genuinamente boas. Apenas vestem a máscara social da bondade.
Por isso, costumo distinguir muito bem esses dois tipos de gente no mundo: o bom e o bonzinho. O bom é o sujeito correto, reto, transparente, de boa índole, que não se corrompe, e valoriza e respeita o ser humano acima de tudo. O bonzinho é apenas isso, bonzinho. Mas não se surpreenda se ele eventualmente cravar uma faca nas suas costas.
Para fechar, na minha experiência pessoal e de vida, percebo que, na grande maioria dos casos, as pessoas preferem tratar com os bonzinhos e boazinhas de plantão. Porque, teoricamente, a relação fica mais fácil, uma vez que é completamente baseada na hipocrisia, na falsidade e na ausência da verdade.
As pessoas realmente boas incomodam, pois têm o desagradável hábito de primar pela verdade e pela transparência, que em muitos momentos chegam a ser tidas como coisas desagradáveis e abjetas, neste admirável mundo novo em que vivemos.
Cada vez mais, o importante é parecer ser bom, e não realmente ser bom, na maior acepção que essa palavra possa ter.
Não faço a menor questão de ser um homem bonzinho. Luto, diariamente, para tentar ser um homem bom e justo.
sábado, 14 de maio de 2011
Incômodos
maioria esmagadora, que compõe o senso comum, entende ser a correta maneira de agir e se apresentar.quarta-feira, 27 de abril de 2011
Chico Science - A falta que o líder faz
a pode ser sentida até hoje, pois, ao contrário de outros importantes artistas mortos recentemente, Chico Science ainda não havia tido tempo de explorar todo o seu potencial criativo, que era impressionantemente elevado..jpg)