sábado, 17 de novembro de 2012
Da série "Somente um idiota..."
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O bom e o bonzinho
Esta vai para todas essas pessoas muito parecidas entre si, que andam às pencas por aí. Com o corte de cabelo padrão, com os trajes padrão, com as expressões e chavões padrão. Pessoas com falsos sorrisinhos de cordialidade no canto da boca. Treinadas para parecerem educadas e eficientes, abusando da praga do gerundismo. Pessoas que, no fim, só se preocupam com a enorme área adjacente ao próprio umbigo. Não estão nem aí para o coletivo, nem para os próximos que as rodeiam.
Hoje, prega-se das mais variadas formas, que o cidadão moderno deva ser bonzinho. Ele deve se enquadrar e comportar-se de determinadas maneiras, e dentro de certos critérios e padrões, caso almeje alguma conquista, seja pessoal, seja profissional.
Há inúmeras cartilhas de etiquetas, que ditam aquilo que pode ou não ser feito ou dito em determinadas situações clichês, como entrevistas de emprego, encontros amorosos e compromissos oficiais e sociais.
Para cada situação, o sujeito deve usar uma persona, uma máscara, um comportamento. Mais do que nunca, a sociedade está se baseando nas aparências, e não nas essências dos indivíduos.
Em muitos meios de trabalho e atividades, a pessoa pode ser competentíssima, talentosíssima, porém, se não estiver envergando os trajes da moda atual, nem com a aparência que a mídia diz ser a aparência padrão atual, certamente estará fadada ao fracasso, seja na seleção, na entrevista ou na dinâmica de grupo.
Atualmente, a única exceção para esse conjunto de regras são os concursos públicos, que têm se pautado pela objetividade na seleção das pessoas. Num concurso honesto, bem realizado e transparente, certamente as pessoas melhor preparadas e com mais conteúdo serão as aprovadas. Não necessariamente as mais bonitas e bem apresentadas nos aspectos físicos e de vestimentas.
Nessa ordem toda de arranjos para que a aparência e a presença física e o carisma ditem as normas e os padrões, outra coisa tem me saltado aos olhos. O fato das pessoas serem, de alguma forma, compelidas a parecer boazinhas e inofensivas. Note bem, eu disse parecer boazinhas. Não precisam ser boas de verdade. Mas têm que ostentar uma aura de beleza, de delicadeza, de serem aparentemente inofensivas aos demais participantes dos grupos em que estejam inseridas.
Na verdade, a meu ver, as pessoas cada vez menos precisam ser genuinamente boas, mas precisam, isso sim, parecer boazinhas, só isso.
Isso leva a algumas situações limites, em que tais pessoas, ditas boazinhas, podem vir a agir de maneira completamente egoísta, leviana e racional, pensando só em si e nos seus interesses, em detrimentos dos demais.
Para mim, esses sustos e surpresas negativas, que todos nós tomamos com certas atitudes de pessoas “boazinhas”, apenas revelam que elas são, na realidade, só isso, boazinhas. Não são pessoas genuinamente boas. Apenas vestem a máscara social da bondade.
Por isso, costumo distinguir muito bem esses dois tipos de gente no mundo: o bom e o bonzinho. O bom é o sujeito correto, reto, transparente, de boa índole, que não se corrompe, e valoriza e respeita o ser humano acima de tudo. O bonzinho é apenas isso, bonzinho. Mas não se surpreenda se ele eventualmente cravar uma faca nas suas costas.
Para fechar, na minha experiência pessoal e de vida, percebo que, na grande maioria dos casos, as pessoas preferem tratar com os bonzinhos e boazinhas de plantão. Porque, teoricamente, a relação fica mais fácil, uma vez que é completamente baseada na hipocrisia, na falsidade e na ausência da verdade.
As pessoas realmente boas incomodam, pois têm o desagradável hábito de primar pela verdade e pela transparência, que em muitos momentos chegam a ser tidas como coisas desagradáveis e abjetas, neste admirável mundo novo em que vivemos.
Cada vez mais, o importante é parecer ser bom, e não realmente ser bom, na maior acepção que essa palavra possa ter.
Não faço a menor questão de ser um homem bonzinho. Luto, diariamente, para tentar ser um homem bom e justo.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
O velho batuta - A "saideira" de 2008!
É claro que, com a idade, vamos ficando muito mais cautelosos, mais prudentes, mas isso não pode ser motivo para deixarmos de ter opinião diante dos assuntos e das pautas da vida cotidiana. Em muitos casos, percebo que os jovens incendiários do passado viraram cordeirinhos com a idade, embriagados, na maioria das vezes, pelas conquistas materiais e o “prestígio” adquiridos em duas décadas de vida.
Nesse período natalino, de extremo e exacerbado consumismo, no qual esquecem quase completamente do verdadeiro aniversariante – este sim, digno de todas as homenagens – para reverenciar o “bom velhinho”, lembrei-me e achei muito oportuna e atual a música dos “Garotos Podres”: “... Papai Noel, velho batuta, presenteia os ricos, cospe nos pobres...”.
Essa letra diz muito, para quem, como eu, já percebia na infância que o Papai Noel era muito mais generoso com alguns do que com outros.
E além disso, os mais velhos ainda completavam com a pérola: “Seja um bom menino, no ano que vem você será recompensado”.
Hoje em dia, as diferenças só se acentuaram. O “espírito” de Natal propalado pela mídia e pela propaganda é muito mais presente nos shoppings e magazines. As compras são incentivadas de maneira doentia. As dívidas são inevitáveis, e os mais pobres acabam tendo de pagá-las até no final do ano novo, quando conseguem.
Estamos cada vez mais distantes do verdadeiro espírito natalino, no qual o amor incondicional e imaterial ao próximo deve ser a coisa mais importante.
Precisamos de menos artigos de luxo, menos presentes, menos comilanças, e mais autenticidade, mais solidariedade, mais justiça e muito mais amor. Aí sim, estaríamos verdadeiramente comemorando o aniversário de Jesus, que como ninguém pregou toda a simplicidade e igualdade do mundo entre os homens. Imaginem se ELE iria separar as pessoas pelo tamanho daquilo que elas podem comprar.
Aproveitando a “deixa”, quero mandar boas vibrações a todo(a)s o(a)s blogueiro(a)s guerreiro(a)s com o(a)s quais tive o prazer de interagir nesses quatro últimos meses. A blogosfera é realmente um espaço de verdade e coragem, onde vocês expõem um pouco de suas almas e sentimentos. Ótimo 2009 a todo(a)s, e longa vida a todo(a)s vocês!
terça-feira, 14 de outubro de 2008
O Sem-noção manda lembranças!
Repare bem na fila única do banco: Sempre chega o Sem-Noção e fica por ali, se fazendo de perdido, alegando que não está entendendo a fila para o caixa. Só que o camarada sempre entra ou fica próximo da cabeceira da fila, ou seja, está se fazendo de inocente, mas nunca fica numa posição de desvantagem, na rabeira da fila. Se as outras pessoas da fila comerem mosca, o Sem-Noção fatalmente se aboleta numa posição privilegiada e dá um nó em todo mundo. O Sem-Noção adora gente de boca aberta para ele poder aprontar livremente das suas. Quanto maior a boa-fé dos outros, mais o Sem-Noção se fortalece.
O Sem-Noção também costuma aparecer muito em lugares cheios de gente como cinemas, teatros, shoppings, estádios de futebol, bem como em metrôs e ônibus. Aparece de várias maneiras, mas em se tratando de celular, o Sem-Noção se supera. O mau uso que faz do aparelho é gritante. Parece que realmente faz de tudo para aparecer. A começar pelo toque. O toque do celular do Sem-Noção é sempre o mais estridente, esdrúxulo e alto possível. Ao atender, depois de deixar que o toque irrite a todos os que estão por perto, o Sem-Noção fala aos berros, como se outros precisassem saber dos seus assuntos particulares.
Em conduções cheias, o Sem-Noção apronta uma atrás da outra. Não sabe se comportar, nem se posicionar em meio ao aglomerado de pessoas. O Sem-Noção é aquele que solta o peido mais fedido, bem no momento de maior tensão e lotação, deixando os que estão por perto atordoados em meio à nuvem amarela.
O Sem-Noção é aquele que espirra bem na cara ou por sobre as cabeças dos outros passageiros, sem a menor cerimônia e sem nem pensar em pedir desculpas.
O posicionamento do Sem-Noção é algo irritante. Se precisar estar perto da porta para descer, ele fatalmente estará bem sentado, o mais longe possível da porta. Quando o ônibus, trem ou metrô vai partir, sai como um tresloucado, atropelando a tudo e a todos.
Se vai demorar a descer, o Sem-Noção fica justamente na porta de saída, barrando a passagem e atrapalhando a vida dos outros. Ou então no meio do corredor, sem lembrar que os outros podem estar querendo passar por ali. Ou seja, o Sem-Noção se caracteriza fortemente por conseguir sempre estar no lugar errado na hora errada e na posição mais atrapalhada possível. Se está sentado na condução lotada, o Sem-Noção jamais pensa em ceder o seu rico lugarzinho a alguém mais necessitado que ele, como uma gestante ou um idoso. Os outros nem existem para o Sem-Noção. Quem são os outros?
O Sem-Noção também não usa qualquer palavrinha mágica no dia-a-dia. Por favor, desculpe, obrigado e com licença, não fazem parte do deu ridículo vocabulário.
Os fumantes já são Sem-Noção por natureza, todos devem concordar. Agora, o fumante Sem-Noção é aquele que não respeita os não-fumantes, fumando em lugares impróprios e fechados, empestando todos os ambientes pelos quais passa. O Sem-Noção fumante é foda, literalmente.
Nos locais de trabalho também existe o Sem-Noção, sempre pronto a fazer tudo o que pode para desandar a maionese e acabar com o espírito de equipe. O Sem-Noção é aquele colega que reclama de tudo, que nunca colabora espontaneamente com os demais. Que nunca faz a sua parte bem feita. Que não se comunica. Que nunca responde em tempo hábil às demandas que cabem a ele. O Sem-Noção no trabalho é um estorvo para os que convivem com ele.
Por fim, nem é preciso dizer que o Sem-Noção está em muito mais lugares e ocasiões do que pude retratar aqui. Isso é só uma amostra da sua capacidade de destruição. Na política, então, o Sem-Noção nada de braçada, impulsionado pelo voto do eleitor Sem-Noção, outra figura bastante deletéria – infelizmente - também muito presente no Brasil. Mas isso são outras histórias...
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
RSVP - A "Caras" de Sampa
Tudo bem, tal publicação terá certamente o seu seleto público e, com o tempo, talvez venha a rivalizar com a Vejinha, outro balcão de anúncios suntuosos para bolsos abastados e gostos duvidosos.
Em minha modéstia suburbana, fico a conjeturar se é desse tipo de publicação que São Paulo, a grande São Paulo - a mãe que não rejeita ninguém, mas trata muito mal a maioria de seus filhos – estaria necessitando.
É notório que São Paulo tem um lado chique e cool no último. Mas também é notório para os menos hipócritas ou alienados, que é uma cidade cujas periferias estão impregnadas pelas mazelas sociais mais desumanas e torpes que podem afligir os cidadãos.
São Paulo precisa, isso sim, de publicações honestas e diversificadas, que mostrem tudo de bom que a cidade tem (E olha que São Paulo tem muitas pessoas decentes e coisas boas e simples, que não aparecem em guias finos como esse), mas também tudo aquilo em que ela precisa melhorar.
Falta atendimento digno e humano em hospitais e postos de saúde. Faltam creches e escolas bem equipadas e professores motivados. Faltam habitações decentes e obras de urbanização das regiões pobres e favelizadas. Falta transporte público rápido e eficiente, pois a maioria das obras viárias, quando são feitas, visam apenas melhorar o tráfego dos automóveis particulares. Faltam opções de lazer, esporte e arte para as crianças e jovens. Por outro lado, sobra criminalidade, tráfico de drogas e práticas corruptas e ilícitas. Falta vergonha na cara da classe dirigente de São Paulo para, em todas as instâncias diretivas e decisórias, agir com responsabilidade e espírito público, visando realmente melhorar as precárias condições de vida da maioria dos paulistanos. Mas não se preocupe. Nada disso estará na RSVP. Lá o mundo é cor-de-rosa e perfumado. E as pessoas são bronzeadas, malhadas, saradas e botocadas. As mulheres têm os cabelos lisos e sedosos e os homens sempre usam gel.
Quanto aos leitores da RSVP, esses não precisam de nada que o Estado possa oferecer. Já têm transporte individual, terrestre e aéreo. Têm segurança particular, muito bem treinada e pronta para agir na incômoda presença de cidadãos comuns. Têm os melhores atendimentos que o dinheiro pode propiciar. Estudam nas melhores escolas, freqüentam os points chics indicados na revista. Não precisam do Estado. Vivem em redomas e condomínios fechados. Que se danem os comuns, jogados aos leões da violência urbana. Os VIP´s vivem muito bem em Sampa. Aliás, os ricos vivem muito bem em qualquer lugar do mundo, até na cadeia. Lêem Caras, Vejinha e RSVP, e ficam antenados quanto aos lugares a que podem ir, sem ter de passar o constrangimento de resvalar ou ombrear com gente de verdade. Chega às raias da indecência termos publicações voltadas apenas para o maravilhoso mundo dos grã-finos, em meio a todo o mar de injustiças e aberrações sociais que vivemos em São Paulo e no Brasil.
PS: Fiquei curioso - sem a menor necessidade, diga-se - quanto ao que pudesse significar RSVP, e descobri o seguinte:
“R.S.V.P. vem do francês: "respondez s`il vous plait", que significa "responda, por favor". A pessoa que enviou o convite deseja saber se você vai aceitá-lo ou não, ou seja, ela quer saber se você vai comparecer ao evento”.
Fonte de pesquisa: http://pessoas.hsw.uol.com.br/questao450.htm
Sigla bastante comum no dia-a-dia, e de fácil compreensão para o paulistano médio. Acho que só eu não sabia!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Dia mundial sem carro (Na garagem)
A única coisa que pude constatar é que, além dos candidatos a prefeito, que naquele dia fizeram a campanha aparentemente (pelo menos diante das câmeras) sem carro, todo o resto da cidade se engarrafou adoidado pelas artérias entupidas da cidade que nunca pára. Não sei aonde ela quer chegar e a quem esse jeito besta de ser quer impressionar, mas São Paulo tem essa pecha de nunca parar.
Talvez seja não parar de criar atrocidades, injustiças sociais, maus tratos aos seus cidadãos, talvez seja nunca parar de a cada dia deixar mais crianças sem escola decente, sem merenda decente e sem professores motivados.
É, como vemos, São Paulo não pára de crescer, e, para muitos hipócritas, pouco importa a forma como a cidade está crescendo, o que vale é que está inchando, quase explodindo. Para quem tem dinheiro e detém o poder político e financeiro, é, sim, uma cidade muito boa para se viver, pena que esses são a minoria muitíssimo privilegiada.
Para o povão (Puta maioria esmagadora), sobra só os descalabros do crescimento desordenado e da falta de solidariedade reinante numa cidade já bastante inóspita para se viver.
Voltando à vaca fria, o dia sem carro foi mais uma mostra disso. São Paulo deu uma grande banana para a iniciativa cidadã, pondo o grosso da sua frota na rua.
Mas isso eu vi e senti na prática. Não me lembro de nenhum importante meio de comunicação tê-lo noticiado.E dá-lhe hipocrisia. E vamo que vamo, que Sampa não pode parar. Eu, particularmente, só queria uma rede de vez em quando, inspirado só um pouquinho pelo bom baiano Dorival.
