Foi-se a época em que existiam músicas de duplo sentido. Há algumas décadas, de tempos em tempos, apareciam cantores e compositores que se dedicavam à “arte” de criar canções cujas letras eram cheias de malícia, cacófatos e palavras enviesadas, que levavam o ouvinte a captar outras mensagens, além daquela aparente à primeira audição. Naqueles tempos, é bom que enfatizemos, tais artistas eram tachados, por grande parcela da população, de produtores de baixarias e não de músicas. Ninguém sabia, àquela altura, o que realmente viria a ser baixaria.
Genival Lacerda é um desses artistas, famoso por suas letras de duplo sentido, que falavam uma coisa, mas queriam dizer outra, como a famosa “Severina Chique-Chique” e “Ela deu o rádio”. Sandro Becker, embora muito menos talentoso do que Genival, também lançou das suas, como o “Gato Tico” e “Julieta tá”. Talvez a ditadura militar tenha contribuído para o surgimento desses compositores criativos, que precisavam burlar a censura lançando mão de várias artimanhas e estratégias. Outra fonte para tais criações é o jeito despojado e irônico de muitos nordestinos, que sempre gostaram de introduzir pitadas de humor despojado em suas canções.
Porém, hoje em dia, lamentavelmente, não há mais necessidade de fazer músicas com duplo sentido. As letras são diretas e sem nenhuma graça ou qualquer charme. São grotescas, mesmo. Vide o exemplo do famigerado “Créu”, uma baixaria sem tamanho, sem graça, e nenhuma inspiração. Do “Créu” vieram coisas ainda piores, como a Mulher-Melancia, uma moça cheia de abundância que se diz cantora e dançarina. A vi cantando, se é que aquilo é cantar, apenas uma vez, mas, perto da “música” dessa “cantora” , o Genival Lacerda fica parecendo um Noel Rosa, dada a diferença brutal de nível entre ambos.
Essa moça, como todas as suas “clones”, que surgiram instantaneamente após o seu “sucesso”, devem matar as feministas dos anos 60 de vergonha e de raiva. E pensar que elas lutaram tanto, se mobilizaram tanto, queimaram sutiãs em praça pública, para em 2008, quarenta anos após, as mulheres se comportarem dessa maneira. Mostrando e balançando a bunda na cara de todos os homens e cantando letras impronunciáveis de tão sofríveis e baixas. Acho que não era por esse tipo de emancipação que aquelas mulheres lutavam.
Mulher-Filé, Mulher-Morango, Mulher-Jaca, virou uma grande feira. “Instant celebrities” comestíveis. Basta olhar, escolher e pegar, não sem antes pagar, é claro.
Onde teriam se perdido a delicadeza e a beleza essencialmente femininas? Por que muitas mulheres escolheram esse caminho para se “equiparar” aos homens?
Falo isso, porque não vejo as mulheres sérias, competentes e preparadas - e olha que elas são muitas – se indignando verdadeiramente contra tais comportamentos de parte delas, as ditas e comentadas “cachorras”. Se fosse mulher, teria muita vergonha de ver mulheres reduzidas a meros objetos do desejo e da cobiça dos homens. As mulheres modernas não podem ser só isso, pois, se assim for, a igualdade entre os sexos ainda estará muito mais longe do que imaginamos.
Mas assim caminha a sociedade brasileira moderna. Mulheres expostas como carne em um açougue. Cantando e dançando músicas chulas e baixas, sem nenhum mérito artístico, que, infelizmente, são enfiadas goela abaixo dos nossos despreparados telespectadores, a custa de muito jabá pago às rádios, emissoras de Tv e seus apresentadores sofríveis.
A minha pergunta, sempre que me deparo com esses shows de horrores que só vêm piorando a cada ano, é aonde todas essas aberrações chegarão? E onde será o fundo desse poço de ignorância e destruição da criatividade e qualidade da cultura brasileira?
Nós, brasileiros, merecemos ter acesso a artistas e trabalhos conscientes e de qualidade, que existem aos montes por todo esse país, mas que infelizmente estão soterrados sob montanhas de bundas e peitos siliconados, além de créus, axés, funks e forrós de péssimo gosto. Será que o aumento da consciência cultural do povo não é um dos caminhos para sairmos desse mar de mazelas e desgraças em que chafurda este país?
Não é possível que o povo brasileiro queira ter acesso apenas a essas “modernas” aberrações da mídia!
Genival Lacerda é um desses artistas, famoso por suas letras de duplo sentido, que falavam uma coisa, mas queriam dizer outra, como a famosa “Severina Chique-Chique” e “Ela deu o rádio”. Sandro Becker, embora muito menos talentoso do que Genival, também lançou das suas, como o “Gato Tico” e “Julieta tá”. Talvez a ditadura militar tenha contribuído para o surgimento desses compositores criativos, que precisavam burlar a censura lançando mão de várias artimanhas e estratégias. Outra fonte para tais criações é o jeito despojado e irônico de muitos nordestinos, que sempre gostaram de introduzir pitadas de humor despojado em suas canções.
Porém, hoje em dia, lamentavelmente, não há mais necessidade de fazer músicas com duplo sentido. As letras são diretas e sem nenhuma graça ou qualquer charme. São grotescas, mesmo. Vide o exemplo do famigerado “Créu”, uma baixaria sem tamanho, sem graça, e nenhuma inspiração. Do “Créu” vieram coisas ainda piores, como a Mulher-Melancia, uma moça cheia de abundância que se diz cantora e dançarina. A vi cantando, se é que aquilo é cantar, apenas uma vez, mas, perto da “música” dessa “cantora” , o Genival Lacerda fica parecendo um Noel Rosa, dada a diferença brutal de nível entre ambos.
Essa moça, como todas as suas “clones”, que surgiram instantaneamente após o seu “sucesso”, devem matar as feministas dos anos 60 de vergonha e de raiva. E pensar que elas lutaram tanto, se mobilizaram tanto, queimaram sutiãs em praça pública, para em 2008, quarenta anos após, as mulheres se comportarem dessa maneira. Mostrando e balançando a bunda na cara de todos os homens e cantando letras impronunciáveis de tão sofríveis e baixas. Acho que não era por esse tipo de emancipação que aquelas mulheres lutavam.
Mulher-Filé, Mulher-Morango, Mulher-Jaca, virou uma grande feira. “Instant celebrities” comestíveis. Basta olhar, escolher e pegar, não sem antes pagar, é claro.
Onde teriam se perdido a delicadeza e a beleza essencialmente femininas? Por que muitas mulheres escolheram esse caminho para se “equiparar” aos homens?
Falo isso, porque não vejo as mulheres sérias, competentes e preparadas - e olha que elas são muitas – se indignando verdadeiramente contra tais comportamentos de parte delas, as ditas e comentadas “cachorras”. Se fosse mulher, teria muita vergonha de ver mulheres reduzidas a meros objetos do desejo e da cobiça dos homens. As mulheres modernas não podem ser só isso, pois, se assim for, a igualdade entre os sexos ainda estará muito mais longe do que imaginamos.
Mas assim caminha a sociedade brasileira moderna. Mulheres expostas como carne em um açougue. Cantando e dançando músicas chulas e baixas, sem nenhum mérito artístico, que, infelizmente, são enfiadas goela abaixo dos nossos despreparados telespectadores, a custa de muito jabá pago às rádios, emissoras de Tv e seus apresentadores sofríveis.
A minha pergunta, sempre que me deparo com esses shows de horrores que só vêm piorando a cada ano, é aonde todas essas aberrações chegarão? E onde será o fundo desse poço de ignorância e destruição da criatividade e qualidade da cultura brasileira?
Nós, brasileiros, merecemos ter acesso a artistas e trabalhos conscientes e de qualidade, que existem aos montes por todo esse país, mas que infelizmente estão soterrados sob montanhas de bundas e peitos siliconados, além de créus, axés, funks e forrós de péssimo gosto. Será que o aumento da consciência cultural do povo não é um dos caminhos para sairmos desse mar de mazelas e desgraças em que chafurda este país?
Não é possível que o povo brasileiro queira ter acesso apenas a essas “modernas” aberrações da mídia!