quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Quero dar panetones para todos!

Não sei porque, mas nesse final de ano fiquei com o espírito solidário mais aflorado e resolvi que vou arrecadar todos os fundos que conseguir para gastar tudo em panetones e sair distribuindo para todos os milhões de carentes do Brasil!
Como sou muito tímido e reservado, não vou querer alardear as minhas intenções para ninguém! Vou embolsar tudo o que puder em nome de uma causa nobre e digna: repartir o santo panetone de final de ano.

Confidenciei a um grande amigo as minhas ideias solidárias e ele prontamente tentou me demover delas. "Podem interpretar mal". Afirmou ele. "Além disso", perguntou, "já imaginou se algum espírito de porco resolve gravar ou filmar as entregas de dinheiro dos colaboradores? Como você vai se explicar? No mundo-cão em que vivemos, a última coisa que as pessoas vão achar é que você está arrecadando fundos à sorrelfa para ajudar os mais necessitados! Pense bem. Você vai auferir boladas em dinheiro vivo. Como vai disfarçar esse dinheiro? Vai guardar na cueca, nas meias, aonde mais, criatura?"

Diante das questões pertinentes do meu amigo, refreei um pouco o meu espírito natalino. É verdade. Se alguém mal-intencionado, algum desafeto, perceber a minha movimentação suspeita durante a arrecadação, pode fazer falsas ilações e tentar registrar o suposto caixa 2 para posteriormente me comprometer com as autoridades e com a imprensa.

Como é difícil ser solidário no Brasil. A gente quer ajudar, mas as pessoas são muito maldosas. Veem más intenções em tudo e em todos. Mas, puxa vida, quantos panetones eu conseguria distribuir se obtivesse doações da ordem de R$ 500 mil, 1 milhão? Seria panetone pra dedéu! Muita gente humilde talvez ficasse até com indigestão de tanto panetone. Ah, e se sobrasse algum, acho que os irmãos da igreja não se incomodariam se eu também fizesse uma linda ceia para o povo, quer dizer, o povo lá de casa, que ninguém é de ferro, né?

Além do mais, em último caso, se registrarem qualquer movimento meu que os outros possam achar suspeito, tenho ainda a possibilidade de alegar que o gravador ou que a filmadora estão apresentando os registros truncados e que aquilo não é exatamente o que parece ser. Pra tudo tem um jeito na vida, menos pra morte.

Quer saber? Ninguém me segura! Vou arrecadar bufunfa dos empresários até dizer chega! Vou abarrotar todo o meu terno, minhas meias, minhas cuecas e o escambau! Este ano estou solidário demais! Quero me arrebentar de distribuir panetones aos pobres! A solidariedade franca e desinteressada não pode ser cerceada por temores mesquinhos. A esperança precisa vencer o medo. Fui!

sábado, 21 de novembro de 2009

A total dependência do automóvel

Nos dias atuais, ouvimos falar o tempo todo de sustentabilidade, preservação do meio ambiente, diminuição da poluição, reciclagem dos resíduos, economia de água potável, e uma série de tantos outros mantras ecologicamente corretos, cantados em todos os lugares, como uma incessante ladainha.

No entanto, a maioria esmagadora dessas pessoas, que vivem dando lição de moral em todo mundo, jamais deixa de usar seus automóveis por um instante que seja. Se precisam ir à padaria, a duas quadras de casa, vão de carro. Se precisam ir pegar o filho na escola, a um quilômetro de casa, vão de carro. Existem pessoas (quase todas) completamente dependentes do carro para viver, como se este fosse uma extensão do próprio corpo. Mesmo com um trânsito cada dia mais caótico e estressante, poucos são os lúcidos e corajosos que buscam alternativas para a prisão sobre quatro rodas.
uitos reclamam dos males causados pelo sedentarismo, mas jamais se dispõem a caminhar um pouco mais. Pouquíssimos utilizam bicicletas, até porque ainda faltam ciclovias e condições seguras de tráfego para elas. Mas ninguém está muito preocupado em criar ou lutar para melhorar tais condições. É muito comum ouvirmos as pessoas falarem no dia a dia que não conseguem fazer nada sem carro, que o veículo é imprescindível na vida urbana moderna, que o sistema público de transportes não funciona. Podem até ter certa razão, dependendo da situação, mas, mesmo assim, existe muito exagero e muito comodismo por trás dessas afirmações corriqueiras.

Poucos se dispõem a levantar a bunda da cadeira e caminhar, pelo menos na hora do almoço. Reclamam do calor, do frio, da chuva... Tudo é motivo para o sujeito se aboletar no seu auto e deixar de queimar pelo menos alguns gramas de gordura trans. Sem contar o rodízio paulistano, que é motivo para que muitas pessoas deem um jeito de alterar toda a rotina do dia da semana em que há restrição para o uso do seu automóvel. Ficou muito comum escutar as pessoas falando que não podem fazer tal coisa tal dia porque é o dia do rodízio. Ou seja, tudo em função do carro. A vida em função do carro.

Isso tudo, voltando ao início do deste post, sem falar nos enormes índices de CO2 lançados na atmosfera todos os dias pelos milhares de veículos que insistem em transitar, apesar de tantas adversidades e problemas que o tráfego pesadíssimo tem causado às cidades e às pessoas.

O fato é que vivemos, isto sim, apesar de tantos blablablás pretensamente conscientes e engajados, na era do automóvel. É em volta dele que a economia gira. É para ele que a maioria das obras são projetadas e, finalmente, é para conseguir alcançá-lo, que a maioria do povo trabalha. E haja propaganda de lançamento de veículos! Em uma delas até já estão fazendo a pergunta (Muito pertinente por sinal): Mas para que um carro tão possante se há tanto trânsito nas grandes cidades? E a resposta: Porque uma hora o semáforo abre! (Só não sabemos se mesmo com ele aberto vai ser possível andar, mas tudo bem...)

Falam tanto da poluição causada pelo tráfego, do iminente fim das fontes de petróleo, mas jamais cogitam em tirar o automóvel do centro das atenções do nosso mundo cada vez mais globalizado.

É de se perguntar: Será que só sabemos viver individualmente sobre quatro rodas? Será que não existem outras boas e dignas opções de transporte? Seríamos nós realmente animais motorizados?
Estaríamos todos condenados a viver todos os dias as agruras e sofrimentos causados pelo desumano e insuportável trânsito das grandes cidades?

Não sei as respostas para todas essas perguntas, mas, além da começar a fazê-las, acho sinceramente que é papel de nós todos tentar também respondê-las. Eu estou sem carro há anos. Utilizo transporte público todos os dias e caminho bastante para fazer minhas coisas cotidianas. Até o momento não fiquei doente nem enfrentei grandes problemas por causa dessa opção. Além do mais, nas cidades maiores, quando necessário, sempre há um táxi logo à mão para nos servir. Tudo é uma questão de adaptação e uso racional dos recursos e possibilidades disponíveis. Além de abandonar a maldita ideia de que o carro traz status e glamour para os seus proprietários. Foi-se o tempo. Hoje em dia qualquer um compra um carro zero em 96 prestações e se encalacra todo para pagá-lo. Mas, mesmo assim, pode dizer e mostrar para todos que tem um carro.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dos tempos do politicamente incorreto

Dependendo do ponto de vista, quinze anos podem não ser assim tanto tempo. Porém, para algumas coisas, tudo muda muito em quinze anos.
Nos idos de 94, o Rollinbund trabalhava em uma empresa municipal de São Paulo, mais especificamente naquela que cuida do trânsito dessa caótica cidade. O trânsito, já naquela década, era completamente enlouquecedor. De lá pra cá, só fez piorar sensivelmente.
Contudo, não são exatamente as atividades-fins daquela empresa que pretendo relembrar, até porque o nosso herói trabalhava num setor que poderia perfeitamente se enquadrar como atividade-meio, o famigerado Setor de Compras e Licitações.
Rollinbund foi alçado àquele Setor através de um concurso interno, no qual obteve o primeiro lugar sem grande esforço. Imagine só o nível dos outros cerca de quarenta candidatos. Muito sofrível, certamente.
Pois bem, classificado no certame, foi notificado de que começaria no Setor de Compras, atuando como comprador, já na próxima semana.
Ao chegar ao local de trabalho, percebeu, à primeira vista, que a sala mais se assemelhava a um hospício do que propriamente a um departamento ou seção.
Em tempos em que o politicamente correto ainda não tinha dominado todas as empresas e todos os ambientes corporativos, aquele setor poderia ser considerado como remanescente dos anos setenta, dada a precariedade, tanto de material humano, quanto de equipamentos, com que ali se trabalhava. Parecia que o lugar estava parado no tempo há pelo menos duas décadas. Só para que os leitores tenham uma ideia do atraso, os métodos de trabalho, se é que eram métodos, ainda incluíam o uso do praticamente extinto, já naquela altura, Telex. Havia duas máquinas de datilografia eletrônicas IBM, mas a maioria dos funcionários ainda martelava velhas Olivettis mecânicas. Aparelho de fax, apenas um, para dar conta das demandas de seis compradores e todas as cotações feitas por eles. Os preenchimentos dos formulários eram manuais, com carbono, uma verdadeira ode ao atraso e à antiguidade.
Mas, afora o atraso tecnológico, o que mais assustava era o comportamento politicamente incorreto dos funcionários. Cerca de quinze pessoas, a maioria sem noção ou preparo, que se amontoavam naquela sala, fazendo de suas mesas de trabalho os seus respectivos feudos, achando que mandavam nos seus exíguos territórios, sem se importar com os vizinhos que se espremiam por todos os lados, mantendo distâncias máximas de um metro uns dos outros, fosse na frente, do lado ou atrás. Uma verdadeira balbúrdia cotidiana.
E o pior não era isso. Em tempos de menos preocupação com a saúde o o bem-estar, a maioria das pessoas que ali trabalhavam era de fumantes inveterados. Verdadeiras chaminés.
Por outro lado, nos dias de calor, havia duas facções que praticamente se engalfinhavam pelo controle do único aparelho de ar condicionado que havia para todos. É claro que nunca existia unanimidade. Alguns queriam ligar o ar, enquanto outros achavam que a sala ficava fria demais. E era esse tormento o dia todo. Uns iam lá e ligavam. Outros, aproveitavam o descuido dos primeiros e desligavam. Quem ligou o ar? Quem desligou o ar?
Agora, imaginem a situação: Cerca de dez pessoas fumando e a sala com todas as janelas fechadas devido ao uso do ar condicionado. O recinto vivia empesteado. Até o Rollinbund, que nunca fumou, consumia pelo menos um maço por dia de Continental sem filtro nessa época.
Em certos momentos, ao entrar repentinamente na sala, parecia que estávamos entrando numa taberna ou num pub londrino. Ao abrir a porta, a nuvem se espalhava pelo lado de fora.
Mas isso ainda não era o auge da falta de noção. Pelo menos metade da sala consumia suas marmitas na própria mesa de trabalho. E os cardápios não eram exatamente os mais leves. Macarronada com muito queijo parmesão, sardinhas fritas, filés de pescada e feijoada eram pratos recorrentes. Imaginem o aroma do local em meio a tanto fumacê, tantos pratos condimentados e tanta gente junta.
Outro quesito complicado era o local do cafezinho. Por falta de jeito e traquejo, eles faziam de um arquivo de aço cinza o suporte para a bandeja do café, do chá e do açúcar (Adoçante? Nem pensar!). Como não eram muito jeitosos, derrubavam café e chá por todo lado e emporcalhavam tudo com açúcar. As laterais e a frente do arquivo ficavam impregnadas e grudentas daqueles respingos. Em algumas vezes podíamos ver o café escorrendo pelo aço daquele móvel e chegando até o chão. Era porcaria para todo lado.
Diante desse quadro dantesco, imaginem a produtividade e a eficiência daquele setor. Já dá para ter uma ideia de que nada funcionava muito bem, não?
Os formulários eram datilografados com erros absurdos de ortografia. Trabalhavam sem nenhuma atenção. Alguns pedidos de compra precisavam ser refeitos umas cinco vezes. Gritavam a plenos pulmões de um lado ao outro da sala, não dando a mínima para os outros colegas que muitas vezes estavam ao telefone, efetuando cotações de preços e contatos com fornecedores. Era a barbárie.
Com o tempo vieram os conceitos de qualidade total e a lei que proíbe fumar em prédios públicos. Chegaram os computadores e iniciou-se um processo de reciclagem dos funcionários. Hoje em dia, me informam os colegas que lá ficaram, o setor é dividido em estações de trabalho e ninguém pode fazer a refeição nas suas próprias mesas. Tudo ficou mais eficiente e organizado, mas muito longe de conservar a graça e a espontaneidade daqueles famigerados tempos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Tráfico X Consumo

As drogas são traficadas, processadas e vendidas em grande escala porque tem muitos consumidores, ou tem muitos consumidores porque são traficadas, processadas e vendidas em grande escala?
Assisti nesta semana a uma reportagem televisiva que, com câmera escondida, mostrava o comércio de drogas em uma das ruas da conhecida cracolândia paulistana.
Eram meninos e pessoas vivendo em situação de rua vendendo a droga para os usuários da classe média, ou média alta, que paravam seus carros junto a eles, compravam e iam embora.
Ao final da reportagem, um policial informava que efetuavam muitas prisões naquela área, mas que não adiantava, pois prendiam alguns e apareciam muitos outros para continuar o comércio.
O que não entendi foi a falta preocupação dele - e isso se estende a muitos outros setores da nossa sociedade - com aqueles consumidores. Qual a importância e a responsabilidade daquelas pessoas supostamente ditas de bem em relação àquela triste situação?
Os meninos seriam aliciados pelo tráfico e iriam se colocar naquele tipo de situação de altíssimo risco se não houvesse tamanha demanda para o "valioso" produto que comercializam?
São impressionantes a hipocrisia e a desfaçatez com que a sociedade dita organizada trata essa questão do tráfico e consumo de drogas. Os traficantes e a marginalidade que se encarregam da produção e da distribuição são o demônio aqui na Terra, mas os filhinhos dos abastados que consomem as drogas avidamente são apenas jovens querendo se divertir!
Tem alguma coisa que não fecha nessa equação social. Vamos combater o tráfico sim. Mas combater o tráfico também passa pela conscientização e chamada à realidade de grande parcela tida como decente e honesta da nossa sociedade.
Tem sido muito frequentes nos últimos anos, os familiares e amigos chorarem a morte de parentes, principalmente jovens, mortos em decorrência da violência urbana. Será que basta chorar e protestar contra os marginais apenas nos momentos de tragédias?
Será que essa mesma parcela da sociedade que se indigna a cada acontecimento trágico que chega à sua porta não precisaria também rever o comportamento dos seus integrantes nos supostos momentos de felicidade e normalidade?
Só é monstruoso aquilo que é feito por traficantes ou policiais corruptos? Mas o que nós, da sociedade "decente" temos feito para evitar todo esse caos social? Nossos filhos e amigos nas baladas, consumindo toda o tipo de droga não é algo para se preocupar?
A droga só é perniciosa quando está sendo produzida e distribuída nas favelas e bocas de fumo? Por acaso, quando chega às mãos das patricinhas e mauricinhos ela se torna pó de pirlimpimpim?
É muito cômodo distorcer os fatos em nosso favor, tapar o Sol com a peneira e achar que maus são os outros. Precisamos, enquanto classe mérdia, refletir um pouco mais sobre tudo isso.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sifu Cards - Você não precisa deles

Para viver a vida plena e humanamente, existe você, sua alma, seu corpo, seu cérebro e seus sentimentos. Para todas as outras coisas, existe o Sifu Card.
O Sifu Card preenche todas as necessidades que ele mesmo criou para você. O Sifu Card permite que você parcele as aquisições de coisas de que talvez nem precise em até 48 vezes, mas, claro, com juros exorbitantes, que irão deixá-lo endividado por um longo período. Com certeza, por muito mais tempo do que vai durar aquele bem que o Sifu Card está gentilmente financiando para você neste momento.
As ofertas tentadoras para o endividamento e total enforcamento do consumidor chegam pelo correio, pelo telefone, pela Internet e pela televisão. O cidadão está sempre às voltas com ofertas imperdíveis de bancos, créditos consignados, cartões de crédito, telefonia celular, serviços de banda larga e TV a cabo, além dos supercrediários dos magazines, supermercados e lojas de departamentos.
Quando avançam como aves de rapina sobre os parcos rendimentos dos aposentados do INSS, chega a ser um crime, que deveria ser previsto no código penal. Cadeia para esses salafrários que se valem da ingenuidade dos idosos para metê-los em enrascadas financeiras e abocanhar a sua modesta renda.
São tantas e tão bondosas as ofertas, que a maioria das pessoas sucumbe a tantos apelos comerciais. Os bancos vivem mandando presentes de grego para os correntistas. São supercartões, com múltiplas capacidades e facilidades. No entanto, só não deixam claro que aqueles cartões passarão a valer automaticamente caso o incauto “beneficiário” não tome a providência de se manifestar expressamente de que não deseja mais aquela “enorme benesse” em sua já complicada vida financeira, normalmente já repleta de bolas-de-neve de dívidas e juros que só fazem crescer.
Ou seja, os bancos oferecem produtos que só vão onerar ainda mais o cliente, fazendo-o pagar anuidades e taxas, tudo em troca de uma suposta facilidade para obtenção de mais crediários e parcelamentos.
Na verdade, os Sifu Cards e os bancos não estão nem aí para a saúde financeira, nem para atender as verdadeiras necessidades de alguém. Eles querem é que você se enrole todo com eles, para depois fazer acordos de parcelamento de dívidas, que sempre saem muito caros para o usuário usurpado.
Outro capítulo à parte das necessidades criadas pelo mercado são as empresas de telefonia móvel e suas ofertas espetaculares. Às vezes, tenho a impressão, dadas as muitas possibilidades de ganhos propostos por elas aos usuários, que hoje em dia basta adquirir um celular para a sua vida mudar completamente. São bônus intermináveis, minutos livres para falar, números livres, prêmios como carros, casas e até boladas de dinheiro. Ou seja, a aquisição de um celular resolve por completo a vida do comprador.
Empresas como a Morto, a Ai, a Escuro e a Toim oferecem tudo de bom aos seus clientes. São tão boas, que fica realmente difícil escolher entre uma dessas operadoras. Por isso que já existe muita gente com vários celulares, de múltiplas operadoras. Assim não perdem nenhuma das suas generosas promoções.
Eu, particularmente, só sei que os créditos do meu celular acabam num piscar de olhos. Jamais me senti levando algum tipo de vantagem nesse serviço. Devemos sempre desconfiar das esmolas boas demais. Até os santos desconfiam. Além do mais, existe um ditado econômico que afirma que não existe almoço grátis. Alguém sempre paga por ele. E por tantas promoções imperdíveis da telefonia móvel, quem será que paga? Tenho certeza de que não são as próprias operadoras.
As promoções de TV por assinatura e banda larga também são grandes enrascadas na maioria das vezes. A NOT TOMBO é a principal delas. Chamo de NOT porque só sabe dizer não aos nossos pedidos. Depois que assinamos o contrato, é um nabo atrás do outro, ou melhor, um tombo atrás do outro. É por isso que acabo de rescindir o meu contrato com essa empresa.
Estamos vivendo na selva do mercado. Querem nos empurrar de tudo. E de muitas dessas coisas nós nem precisamos.
E para um povo tão despreparado como o brasileiro, fica difícil resistir a todas essas “vantagens” da vida moderna. E haja orçamento estourado no final do mês e uso indiscriminado do limite do cheque especial.
Não é isso, definitivamente, que eu entendo por felicidade. Precisamos urgentemente reciclar as nossas atitudes consumistas e imediatistas. E eu não quero fazer o discurso tão batido ultimamente de salvação do planeta. Para mim, antes do planeta, precisamos salvar os cidadãos dessas “necessidades adquiridas na Sessão da Tarde”, como canta com tanta propriedade a Nação Zumbi.

Para vocês que conhecem pessoas endividadas, atoladas até o pescoço, e sem forças para sair dessa ciranda financeira destrutiva, dou a dica para que procurem os “Devedores Anônimos” em suas cidades. É uma irmandade nos moldes dos “Alcoólicos Anônimos”, que procura dar apoio e orientação para que os consumistas e devedores compulsivos saiam das dívidas e tornem mais saudáveis as suas vidas financeiras.
Todos nós podemos viver felizes sem tantos Sifu Cards. Cartão de crédito e débito deve apenas ser uma ferramenta que nos auxilie em nossas vidas corridas. E bastam poucos. Só precisamos refletir mais sobre isso. E divulgar isso.

PS: Post inspirado, entre outras coisas, pelo belo filme “Antes de Partir”, no qual Jack Nicholson e Morgan Freeman dão um show e nos mostram o que é realmente importante na vida.

Inspirado também na divertida animação “Wall-E”, que assisti com minha filha neste dia das crianças. É um filme que a maioria dos adultos precisa assistir, urgentemente.

domingo, 4 de outubro de 2009

Eu, eu mesmo, muitos anos depois

Este post sim, é baseado em fatos reais.
Neste domingo, após acordar da melhor maneira possível, se é que me entendem, saí para testar minhas novas palmilhas, receitada pelo ortopedista para tratar uma inflamação no tendão de Aquiles. A dor vinha incomodando nas caminhadas e corridas há mais de um ano, tendo piorado muito nos últimos dois meses. Já não conseguia mais correr sem passar os três dias posteriores mancando muito.
Há alguns dias, passei o meu aniversário ainda com dor, pois não havia recebido as palmilhas milagrosas. Não tinham ficado prontas. Completei meus 44 anos de maneira acabrunhada e macambúzia, pois me via impedido de praticar uma das atividades que mais me dão prazer e contribuem para manter o stress e a ansiedade sob controle.
Percebi, no começo da jornada, que as palmilhas realmente iriam cumprir o papel para o qual foram receitadas. A dor estava muito menor e a pisada muito mais correta e direcionada. Feliz da vida, agradeci muito a Deus pelo presente e fui embora. Primeira corrida de 40 minutos sem dor em muito tempo.
Aliado a isso, no meu som, tocava uma música do John Lennon, Starting Over, muito emblemática para mim, pois faz parte do último disco lançado pelo ex-Beatle, em 1980, poucos meses antes da sua morte trágica. Eu tinha 15 anos de idade, e foi naquele episódio que comecei a conhecer a história dos Beatles e, consequentemente, da música.
E vieram outras músicas, aleatoriamente, todas muito marcantes para mim, em diferentes épocas. L.A. Woman, do Doors, só que na versão do Billy Idol, outra música marcante. E várias outras.
Saudosismos à parte, o exercício mental e emocional que costumo fazer nesses momentos é comparar quem eu era naquela época com quem sou hoje.
A música me ajuda a trazer de volta, com mais facilidade e precisão, as expectativas e emoções das fases passadas. Assim, pude revisitar os meus sentimentos aos 15, aos 18, aos 25 e por aí afora.
Mas o que me deixa mais feliz em tais momentos é a constatação de que o homem de hoje, muito mais velho, com quase trinta anos a mais, é, de muitas formas, aquele mesmo menino de 1980, e isso me deixa muito satisfeito. Sinto que o encontro entre o homem de hoje e o menino de antes seria uma coisa muito natural, no qual ambos se entenderiam perfeitamente. Não me envergonho em nada do menino pobre, tímido e desajeitado que fui. Como tenho certeza de que ele também não renegaria ou condenaria de maneira alguma o homem que sou. Tenho muito orgulho de ainda ser a mesma pessoa de anos atrás. Tenho ainda todas as conexões com o menino de 15, o jovem de 20, o adulto de 28. Eu sou hoje a soma daquilo que eles todos produziram no passado. E me dou muito bem com todos eles. Jamais deixei de ser eu mesmo, apesar disso eventualmente não agradar a todas as pessoas. Impossível para qualquer um agradar a todos, nem Jesus Cristo conseguiu.
Outra boa sensação que as lembranças da meninice trouxe foi a renovação da ideia de cada vez mais colaborar, de todas as formas, por um mundo mais honesto, mais humano, menos egocêntrico. Esse ideal sempre me acompanhou, e em certos períodos de stress acentuado acaba ficando soterrado por tantas mazelas e atitudes mesquinhas com as quais temos convivido nos vários âmbitos da vida moderna.
É possível o cidadão passar dos quarenta e continuar vivendo intensamente todos os sonhos e expectativas de um mundo melhor que tinha na juventude. É possível. Há exceções para a velha máxima de que se deveria sempre desconfiar de alguém com mais de trinta anos. Tenho 44 anos e não me sinto um ser abjeto que abdicou de todos os seus princípios em busca apenas do conforto material e da realização pessoal. Tenho tentado conciliar, sempre que possível, a minha vida pessoal com a minha vida de cidadão. Esse blog, entre outras iniciativas, é a prova viva disso.
Agora sim, acho que passei pelo meu inferno astral. Esse ano ele só acabou depois do aniversário. Mas valeu muito à pena. Como tudo na vida.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A número um do Mundo

Nos dias atuais, está ficando cada vez mais comum e recorrente o egoísmo e o individualismo exacerbado das pessoas ditas modernas. A grande maioria vive ensimesmada dentro de prisões virtuais, tendo um conceito de felicidade cada vez mais equivocado, pelo qual o importante é apenas a própria sensação de bem-estar, como se esta estivesse completamente desligada do entorno e do contexto que rodeia os pretensos felizardos.

Ou seja, todos estão se preocupando demais com os próprios umbigos - o que não deixa de ser legítimo, claro -, mas sem qualquer preocupação com as necessidades coletivas e da sociedade em geral.
É por isso que abro espaço aqui para falar de Marta. A melhor jogadora do mundo está de volta ao Brasil, onde, até o final do ano, vai defender a equipe do Santos.

Há alguns dias, houve uma partida amistosa para a apresentação do novo time feminino do Santos. Claro que a estrela era Marta. Milhares de pessoas foram até o local para prestigiá-la, bem como para assistir suas jogadas e lances geniais.

O placar já sinaliza como deve ter sido aquele jogo. Dez a zero para o time de Marta. Até aí, nenhuma surpresa.

O que achei destoante em relação ao atual estágio do comportamento humano em geral, principalmente quando há a mídia envolvida, foram as declarações das adversárias de Marta, e ao final, da própria jogadora.

Todas as meninas que enfrentaram a estrela foram unânimes em falar da humildade dela, bem como do apoio que deu a todas as jogadoras durante a partida.

A própria Marta falou, emocionada, que no transcorrer da partida chegou a vibrar muito por algumas meninas que faziam belas jogadas, como uma boa defesa feita pela goleira do time rival das "Moreninhas", quando o placar já estava muito dilatado.

Inteligente que é, Marta sabe que pratica um esporte coletivo, e que uma andorinha só não faz verão. De nada adiantaria ela continuar sendo a melhor do Mundo por anos a fio - o que é bem provável -, se não houverem mais meninas interessadas em praticar um bom futebol no seu próprio país.
Apesar de sua pouca idade e da sua origem humilde, Marta demonstrou um forte senso de coletividade e fraternidade em seu comportamento. Sabe que é uma estrela, mas não tem pretensão de brilhar sozinha, até porque não conseguiria. Usa, isso sim, dentro da sua simplicidade, o seu brilho próprio para sensibilizar e conscientizar as pessoas.
Foi necessário termos uma mulher como a melhor jogadora do mundo, para que ela fizesse o que os seus colegas homens nunca tiveram a mínima preocupação em fazer: Pensar um pouco além do próprio umbigo e usar o carisma e a projeção midiática com o objetivo de chamar atenção para uma causa maior. No caso, ela luta para que o futebol feminino seja profissionalizado e levado a sério no Brasil, o que garantirá oportunidades para muitas meninas brasileiras.

Fosse ela egoísta e egocêntrica como é a maioria da pessoas de hoje, e talvez nem voltasse a pisar no Brasil, quanto mais preocupar-se com questões estruturais do nosso país.
Isso é ter a visão do todo do qual se faz parte. É saber que é muito mais gratificante ser feliz acompanhado do que só. Parabéns, Marta.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A televisão me deixou burro demais!

A gente acaba de assistir ao JN, repleto de bandalheiras, violência, corrupção e barbaridades. Logo em seguida somos transportados para o novo Mágico de Oz. É brincadeira! Essa nova novela do Manoel Carlos é de matar. Os personagens voam de helicóptero com a maior naturalidade. Pousam o helicóptero e já há um Jaguar esperando, com motorista e tudo. As personagens principais são capas de revistas. Ou seja, é um mundo com o qual todos nós, batalhadores brasileiros, estamos acostumados em nosso dia-a-dia. Acho que esse velhinho ficou gagá de vez.

Por falar em nonsense, por estes dias vi uma reportagem no famigerado JN, em que as pessoas de alto poder aquisitivo reclamavam do dinheiro que são obrigadas a gastar com o estacionamento dos “seus veículos”. Um empresário contabilizava, chateado e meditabundo, que chega a desembolsar R$ 350,00 por mês para estacionar “os carros” da família! Foi uma notícia tão triste e chocante, que eu mesmo nem consegui dormir à noite. Acho que o governo deveria instituir o Vale-Estacionamento, para auxiliar os proprietários de mais de um veículo que porventura não tenham condições de arcar com tais despesas!

Faça-me o favor! Deve estar faltando pauta para o pessoal do JN. Não é possível! Com tantas mazelas e miséria em nosso país, os caras tem tempo de se preocupar com os gastos dos bem-nascidos com seus possantes. Vão todos se catar!

Este Brasil parece estar de ponta-cabeça mesmo. Basta ligar a TV para ser bombardeado por notícias inacreditáveis. Pedofilia, corrupção, assassinatos, tráfico de drogas, desvio de dinheiro público... Talvez fosse melhor ficarmos sem nenhum acesso à informação. Mas como? A informação instantânea nos persegue em qualquer lugar em que estejamos.

Sei que muitos vão dizer que existe o controle-remoto, que o telespectador é o senhor das suas escolhas. Seria verdade, se os canais, mesmo os da TV à cabo, não fossem, todos eles, muito parecidos em suas programações.
Realmente, está faltando vida inteligente na TV brasileira, com honrosas exceções, cada vez mais esparsas.
Pobre do nosso povo. Com tão poucas possibilidades de acesso às informações úteis e necessárias, e cada vez mais emburrecido pela onipresente televisão.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Decálogo do cartão vermelho

Recebi essa deliciosa incumbência da inspirada blogueira Miss Universo Próprio . A idéia é dar cartão vermelho para dez coisas que nos enchem o saco. Podem ser pessoas, coisas, acontecimentos, comportamentos, etc. Ou seja, um prato cheio para desopilar o fígado e exorcizar um monte de tranqueiras que infernizam o nosso cotidiano. Ao final, indico mais cinco blogueiros que admiro, a quem repasso essa nobre tarefa. Aí vão os meus dez cartões vermelhos:

1) Motoristas idiotas (A maioria, infelizmente): Se acham donos das ruas e não respeitam pedestres, motoqueiros, ciclistas, nem os outros motoristas. Buzinam a qualquer pretexto, principalmente quando faz apenas um segundo que o semáforo ficou verde, não concedendo sequer o tempo de reação ao estímulo visual para o incauto motorista da frente. É muito stress e muita imbecilidade juntos!

2) Xuxa: Não é atriz, não é cantora, não é apresentadora. Mesmo assim, está há mais de vinte anos detonando a cabeça das pobres crianças brasileiras com as suas imbecilidades. Inúmeros desserviços prestados à infância brasileira.

3) Rede Globo: Está sempre ao lado dos governantes, sejam eles quem forem, há mais de quarenta anos. Contribuiu muito, nessas quatro décadas, para a alienação e imbecilização do povo brasileiro.

4) Eleitores brasileiros: Não tem qualquer discernimento na hora de escolher seus representantes e depois ficam reclamando que os políticos são todos safados. Como se os políticos não fossem o espelho da sociedade que os elegeu!

5) Paulo Coelho: Meu Deus!?!? O que as pessoas vêem nesse sujeito? Quem souber, por favor, me explique.

6) Daslu (E estabelecimentos congêneres): Templos do luxo e da ostentação num país de miseráveis. E ainda por cima, à custa de sonegação de impostos.

7) Funk, axé, pagode, breganejo, forró industrial e pop emo: Pega tudo isso, junta tudo e joga na lata do lixo! Faça-me o favor, isso não é música (?) que um ser pensante mereça ouvir.

8) Desrespeito, preconceito e discriminação: Sejam por quais motivos forem!

9) Para todos os idiotas que se arvoram a fazer a infeliz pergunta: Sabe com quem está falando?

10) Para todas as pessoas idiotas que, por algum motivo, em algum momento, em alguma situação, venham a se considerar melhores que as outras.
Ainda daria para dar cartão vermelho a muitas outras pessoas e coisas, mas vamos nos ater ao decálogo, por enquanto...
Repasso o bastão aos seguintes colegas, blogueiros de responsa. Desses, só vem coisas boas!
Abraços a todos!
Única & Exclusiva

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Robozinho valente irá monitorar o cocô do Rio Tietê

Foi iniciada nesta terça-feira, 01/09/09, com pompa, circunstância, transmissões e relatos ao vivo, uma jornada no mínimo insólita. A Globo está patrocinando a viagem de um flutuador, que mais parece um robozinho ou um satélite, o qual terá a ingrata missão de percorrer 500 Km do Rio Tietê, coletando informações, dados e imagens sobre a vida (?) e a quantidade de oxigênio de suas águas imundas, espessas e pardacentas.

São públicos e notórios os altíssimos níveis de poluição do Rio Tietê, pelo menos na parte que corta a grande São Paulo, causados principalmente pelos esgotos e dejetos industriais lançados sem o menor cuidado nas suas águas. Parafraseando jornadas famosas, concluímos que essa tresloucada expedição será uma autêntica viagem ao fundo da merda.

Nos primeiros dias, o robozinho irá navegar por águas mais limpas, próximas da nascente do Tietê. O bicho vai pegar na medida em que ele for se aproximando da capital. Nem sei se alguns trechos ainda são navegáveis, dada a densidade de suas águas marrons. Talvez o aparato venha a encalhar em alguns pontos das águas embosteadas do rio.

O que me espanta é o ar de desbravadores do rio que os apresentadores dos telejornais da emissora têm adotado. O entusiasmo e a alegria com que noticiam os avanços do projeto, que, ao menos em tese terá duração de um mês. Isso, se o sofisticado equipamento não vier a se desintegrar nas ácidas águas em que irá navegar.

Outro ponto em que os globais dão muita ênfase é o envio de imagens a serem coletadas durante a empreitada. Não consigo deixar de imaginar as belas imagens a serem fotografadas, e transmitidas em tempo real, no período crítico, quando o flutuador estiver navegando quilômetros e quilômetros literalmente na merda.

Quanto à vida nesse trecho do rio, só vejo a possibilidade de encontrarem uma única espécie, cuja resistência é descomunal, são os famosos peixes de origem nipônica, os toroços. Esses deverão ser muito fotografados pelo heróico robozinho.

É importante lembrar, que a engenhoca será sempre pajeada por um atleta do remo, a quem eu sinceramente desejo toda a sorte do mundo, tendo em vista os caminhos pútridos nos quais irá se aventurar.

No final das contas, ao fim da penosa viagem, teremos um amplo painel dos níveis de merda existentes no Rio Tietê. Nunca nenhuma iniciativa foi tão desbravadora e corajosa. Durante anos a fio esperamos uma medida como essa, que pudesse comprovar cientificamente aquilo que os olhos e narizes dos paulistanos já conhecem de longe.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O verdadeiro certificado de qualidade total no atendimento comercial

Caros leitores, nos dias atuais, têm sido recorrentes os programas de qualidade total e auditoria dos procedimentos de atendimento ao público ou de produção das empresas e organizações.

É muito válido que as empresas procurem atingir altos níveis de qualidade na produção, que venham a melhorar o seu desempenho no mercado e, principalmente, junto ao consumidor dos seus produtos, sejam eles quais forem.

No entanto, tais programas são cheios de etapas, de dinâmicas, de checagens, mas, em muitos casos, a qualidade final no atendimento ao público obtida não é satisfatória. Falo, principalmente, das empresas prestadoras de serviços, cujo objetivo maior e principal, no meu modesto entender, deveria ser a satisfação total do cliente.

Para mim, muitas dessas firulas empresariais, propostas pelas consultorias de qualidade, acabam sendo inócuas, apenas para inglês ver, tendo em vista que várias empresas submetidas a tais critérios e procedimentos continuam prestando serviços sofríveis aos seus clientes e fregueses.

Exemplifico mais claramente: Você vai a uma loja de departamentos. Aproxima-se da seção de seu interesse e percebe que os atendentes estão todos parados, mas ninguém se digna a atendê-lo. Após sua insistência, como se você estivesse pedindo um favor, o primeiro atendente abordado passa a “bola” para outro, gritando: “Atende ele aqui que eu estou ocupado!”

Para mim, esse tipo de atendimento desleixado e pouco comprometido com o cliente é totalmente inaceitável. Não sei como um comércio que não coloca o freguês acima de tudo pode prosperar nos dias atuais. É muito antigo o dito popular que afirma que “o cliente sempre tem razão”, porém, em poucas oportunidades temos sido atendidos com a atenção e o respeito devidos pelos funcionários e vendedores de toda a sorte de empresas e estabelecimentos comerciais.

Noto, na maioria dos casos, que os funcionários são uniformizados, são identificados, cumprem seus horários da melhor maneira possível, mas não são treinados para aquilo que seria o mais importante em qualquer relação, principalmente nas comerciais, o respeito e o entendimento de que nada do que ali é oferecido faz sentido se o cliente não ficar satisfeito com a prestação do serviço, ou com a aquisição do bem, dependendo do ramo de atividade em questão.

Deus nos livre também daqueles atendimentos robotizados e “gerundianos” hoje em dia tão em voga: Posso estar ajudando em alguma coisa, senhor?

Falta, como já disse, a perspectiva de que o freguês deve ser o centro das atenções em qualquer atividade comercial que o empresário ou comerciante se proponha a realizar.

Sobram comportamentos padronizados, que não levam a lugar nenhum, uma vez que o comércio e a prestação de serviço bem feitos são aqueles em que o cliente deixa o local da compra ou do atendimento com um sorriso de satisfação no rosto, prometendo voltar e indicar aos amigos.

Assim, proponho a criação do selo Rollinbunds de qualidade no atendimento. Para receber essa importante certificação, que é quase uma honraria, bastaria que o local condecorado fosse visitado (vistoriado) pelos nossos auditores (todos rollinbunds da melhor qualidade), e que tivessem espontaneamente prestado serviços de qualidade, com humanidade, civilidade e gentileza.

De nada adiantam treinamentos e padronizações empresariais, se não forem atingidas a espontaneidade e atenção totais nos atendimentos e a conseqüente satisfação total dos clientes.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Revolution Rock

Algumas datas roqueiras emblemáticas estão sendo comemoradas neste mês de agosto. Quarenta anos de Woodstock. Vinte anos da morte do lendário Raul Seixas, e com certeza muitas outras delas que não me ocorrem no momento.

Para mim, a maior finalidade a que o rock pode se prestar é à rebeldia com causa. Em muitos momentos e com muitos artistas, o rock foi genuinamente contestador e libertário. Em outros, sucumbiu totalmente ao mainstream e foi apenas mais um produto industrializado e pasteurizado pelas grandes corporações da música.

Sempre acreditei que os verdadeiros roqueiros quisessem realmente contribuir para que os parâmetros de felicidade e vida moderna fossem alterados sensivelmente. Tirando o lado porra-louca do rock, sempre o mais festejado, há por trás de muitos artistas a vontade férrea de ver o mundo transformado para melhor. Com mais liberdade de expressão, mas também com mais justiça e igualdade social.

Pelo menos, foi assim que sempre vi o rock. Sempre me recusei a acreditar que os roqueiros fossem doidões por serem doidões. Muitos deles, como o próprio Raul, foram verdadeiros profetas, além de pessoas altamente intuitivas e muito avançadas para os períodos em que viveram. Em muitos casos, ainda vivem. Muitos estão vivos e apresentando trabalhos muito interessantes. O verdadeiro rebelde com causa não morre nunca. Talvez seja mais um estereótipo da indústria pop, o de que só os jovens têm propensão à rebeldia. Acho dignificantes aquelas personalidades da música, das artes, das letras, ou de qualquer outro meio, que passados dos quarenta anos, ainda conservam a verve da contestação aos modelos, muitas vezes equivocados, impostos pela moderna sociedade. Pensar é para a vida toda, não é e não deve ser privilégio apenas dos mais novos. A experiência também deve contar muito. Haja vista os povos antigos, que tanto valor davam aos mais velhos e sábios.

Irrita-me os ditos amantes do rock, dados a se “fantasiar” de roqueiro em algumas ocasiões, mas que, no entanto, no cotidiano, na vida prática, se comportam como o pior tipo de pessoa que possa haver na face da Terra. Não respeitam o próximo. Não toleram as diferenças. Não contribuem para minimizar desigualdades. Não fazem nada, mesmo que apenas nos seus respectivos raios de ação, para diminuir a corrupção e o famigerado “jeitinho”. São roqueiros fakes.

Quando os Sex Pistols berraram a plenos pulmões contra a Monarquia e a sociedade inglesa da época, abriram precedentes, quebraram tabus. Tenho certeza que, mesmo envoltos na maior rebeldia possível, no fundo almejavam mudanças sociais concretas para a classe operária. A rebeldia dos punks tinha causa e razão de ser.

Não concebo toda a inspiração de John Lennon, Bob Marley, Bob Dylan, Jim Morrisson, Renato Russo, Kurt Cobain e Raul Seixas, entre muitos outros, serem relegadas a ficar apenas nos concertos e nas músicas. Acho que o que todos eles sempre almejaram em suas letras, em suas vidas, os ideais mais nobres e humanos possíveis. Tanto, que muitos até morreram por essa causa. Cabe a nós, seus admiradores, fazer pelo menos um pouquinho para que esses sonhos de liberdade, fraternidade e igualdade possam ser realmente alcançados na vida real. Como disse John Lennon: “Pense globalmente, aja localmente”.

Há muitas pequenas atitudes e ações que podemos ter em nossa correria diária, que muito podem contribuir para nos aproximarmos de um mundo mais humano e decente. Nem só de atos heróicos e transmitidos ao vivo vivem as revoluções. Elas acontecem também em nossas consciências, de maneira silenciosa e discreta. E é aí que valem mais.
Longa vida ao rock´n´roll e, principalmente, aos seus ideais para um mundo melhor.

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