quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Amizades vituais?
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Os fumantes de São Paulo levaram fumo!
A lei antifumo entra em vigor nesta sexta-feira (07/08/09) em todo o estado de São Paulo. Já não era sem tempo. Esperemos que pegue de primeira. Pela lei, é proibido fumar em quaisquer lugares fechados, públicos ou privados. Em caso de desobediência, o dono do estabelecimento é quem paga a multa e sofre as sanções. Dessa forma, os fumantes só poderão dar suas baforadas nas ruas e nos espaços abertos. Por mim, poderiam, todos eles, serem encaminhados para a casa do caralho! Lá só incomodariam uns aos outros e, como diz o ditado, chumbo trocado não dói. Talvez tenha faltado esse parágrafo na nova lei, o qual seria muito ilustrativo, uma vez que os fumantes vivem enchendo o saco, perguntando aonde poderão fumar agora. O local acima é, sem dúvida, o mais indicado para a reunião de todos eles.
Slogans idiotas e marcantes como " O fino que satisfaz" e "É preciso levar vantagem em tudo, certo?" ficaram gravados no imaginário popular, sendo que este último popularizou a "Lei de Gerson" em nosso país. Haja desserviços à nossa sociedade. Além de todos os males conhecidos, o cigarro ainda ajudou a reforçar a estúpida idéia do "jeitinho brasileiro".
Outro conceito sofrível que se propagou ao longo das décadas era o de que o cigarro tornava o fumante um indivíduo mais interessante e inteligente.
Com a restrição ao fumo, muita gente vai precisar de outras muletas para parecer interessante. Nos botecos, vão acabar aquelas poses blasés de muitos fumantes. Agora vão precisar mostrar mais conteúdo, em vez das caras e bocas que as tragadas proporcionam.
Quanto a nós, não-fumantes, só nos resta torcer muito para o sucesso da lei, para que possamos tomar o nosso choppinho tranquilamente, sem ter de sair dos bares empesteados e impregnados de fumaça até nos lugares em que o sol não bate.
Brincadeiras e radicalismos à parte, entendo que essa nova era só trará benefícios a todos, inclusive e principalmente, aos próprios fumantes.
Não sou adepto das medidas arbitrárias, mas, neste caso, sou obrigado a dizer que estou adorando as restrições. Agora, parece que a coisa vai. Me desculpem os amigos fumantes.
sábado, 18 de julho de 2009
Recesso da redação
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Rollinbund e os "blind dates"
O Rollinbund sempre foi um cara muito tímido. Porém, de alguma forma, sempre esteve na vanguarda. Em meados dos anos 80, a new wave bombando, o rock nacional em alta, e o Rollinbund, na faixa dos 20, tentando reverter todo aquele clima festivo em prol das suas conquistas amorosas. Devido à enorme timidez, quase nunca se dava bem no face to face com a mulherada. Só quando algum amigo ajeitava as coisas e, assim mesmo, o Rollinbund ainda metia os pés pelas mãos nas conversas preliminares e logo botava tudo a perder. Não era falta de conteúdo, pois a estirpe dos Rollinbunds costuma ter algum, mas era a mais absoluta inabilidade de expressar o que pensava e sentia.Contudo, já naquela época, antes do estouro mundial da Internet e das relações virtuais, hoje tão em voga, o Rollinbund se valia de um meio para azarar as tão sonhadas mulheres. Era o contato telefônico. Por obra do destino, Rollinbund sempre trabalhou ao telefone, desde a meninice. Assim, o mancebo vivia fazendo contatos e recebendo ligações de pessoas das mais variadas empresas e congêneres. É óbvio, que adorador do sexo frágil como sempre foi, o nosso herói dava uma atenção toda especial às damas. Para completar, muitas gostavam da sua voz ao telefone. Pronto, estava armada a confusão. Não tinha um dia que o Rollinbund não conseguia um novo contato virtual (telefônico). Não falei que o cabra é de vanguarda?
Mas isso era só o início do enrosco. A coisa complicava quando ele passava do virtual para a marcação dos primeiros encontros com as pretendidas. Numa rápida estatística, a qual ainda deve ser válida para os blind dates destes tempos modernos, noventa e cinco por cento das vezes o Rollinbund se deu mal.
Ingênuo e crédulo, marcava o encontro com o alvo da vez, achando que ia se dar bem e, muito honesto, dizia exatamente a roupa com a qual estaria vestido. Ou seja, ele passava a ser o alvo das investidas das mocréias. Via de regra, marcava próximo a um cinema, ou num shopping, para facilitar o papo, os comes-e-bebes e engatilhar um filme após a conversa. Era no escurinho do cinema que ele pretendia dar vazão aos seus desejos retraídos.
Na esmagadora maioria dos encontros, Rollinbund se posicionava no local combinado, com a roupa combinada, e aguardava a aproximação da musa. É claro que elas também informavam ao telefone os trajes que estariam usando. Normalmente, roupas e cores comuns da moda na época. E lá que ficava o Rollinbund, numa estação de metrô, numa portaria de cinema ou numa praça de alimentação, aguardando a desejada companhia. Como são lugares movimentados, era comum e recorrente, aparecerem muitas mulheres vestidas com as roupas que a pretendida havia prometido usar. A cada gostosona que se aproximava, o Rollinbund quase desmaiava de emoção, mas nada, era só fogo de palha. Certa vez, ele tinha marcado com uma “moça” que afirmara que usaria branco. Se deliciou com inúmeras beldades de branco e nada. Depois de vinte minutos esperando, numa plataforma de metrô, se manifesta uma mulher quarentona, vestida de preto e cheia de sorrisos dizendo: “Oi, eu sou a fulana! Só estava criando coragem para me aproximar...Não deu para usar a roupa que falei...” Preciso reiterar que, à época, o Rollinbund estava na casa dos 20 anos. Ou seja, era uma completa barca furada para o menino.
Em outra feita, Rollinbund estava há dias se engraçando com a telefonista de uma empresa que contatara. Logo a conversa pegou fogo e eles marcaram o primeiro encontro. Ele estava ansiosíssimo para tirar o pé da lama, pois há meses não dava uminha sequer! A moça estava correspondendo tanto, que já tinham combinado de ir direto para um hotel. O cara mal se agüentava de emoção. “É hoje!” Pensava em voz alta. Lá chegando, a maior de todas as surpresas, a moça, que também já era quarentona, não tinha uma das pernas e usava muleta. A partir daí, nunca mais o Rollinbund se valeu dessa estratégia para paquerar e azarar a mulherada.
O saldo desse período ficou mais ou menos assim: Vinte e quatro barcas furadas e apenas duas conquistas dignas de menção. Duas vendedoras, na faixa dos vinte, com as quais o Rollinbund engatou breves romances, com direito a aventuras sexuais e momentos amorosos. Nem tudo foi perdido naquela fase!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Singela homenagem a Muricy Ramalho
Considerei execrável a maneira como o São Paulo F.C. demitiu o vitorioso técnico Muricy Ramalho, após este ter dado três títulos brasileiros consecutivos ao clube.Sou são-paulino, mas não sou fanático, como tantos que andam por aí. O que me leva a escrever sobre Muricy é a autenticidade desse competente técnico. Achei a falta de gratidão e respeito do clube muito grande para com esse excelente profissional, que está muito acima da média dos treinadores disponíveis no mercado.
Num meio em que os técnicos e dirigentes vivem falando bobagens e atropelando a ética a todo instante, Muricy Ramalho é uma das poucas ilhas de seriedade e retidão de caráter. Existem outros profissionais sérios por aí, mas, convenhamos, Muricy, na atualidade, é imbatível, uma vez que alia competência técnica, ética e muito conhecimento acumulado dos meandros do futebol e da formação de novos jogadores. Basta dizer que é discípulo de Telê Santana, outro mito entre os técnicos de futebol.

Se o São Paulo já vinha mal das pernas com ele, o que poderemos esperar agora? Basta um mínimo de bom senso para percebermos que o problema atual do clube está no elenco de jogadores, não no treinador. Há no São Paulo, nesta época do ano, como em todos os clubes brasileiros de ponta, vários jogadores muito mais preocupados com a abertura da janela de transferências para o futebol europeu que se aproxima, do que em desempenhar seu melhor futebol no clube atual.
Mas, na nossa cultura imediatista, sempre é mais fácil mexer com uma peça só do que com várias delas. E lá se vai o grande Muricy, como se fosse um outro técnico qualquer, sem receber a menor consideração e muito menos um voto de confiança do clube, uma vez que tem, ou deveria ter, bastante crédito para isso.
Mas não é só como técnico competente que admiro Muricy Ramalho, mas também, e principalmente, pela forma autêntica e honesta com que exerce a sua profissão. Com Muricy não tem meias palavras, é tudo preto no branco. Ele também não gosta de puxa-saquismo oportunista, de tapinhas nas costas, ou seja, dessas frescuras e falsidades tão em voga hoje em dia.

Nesse mar de mesmice e padronização atual, no qual o mundo do futebol é um dos mais imbecilizantes que existem, Muricy Ramalho é um sopro de dignidade, altruísmo e profissionalismo. Desejo muito boa sorte para o nobre Muricy, vá ele para onde for, e tenho certeza de que o clube que o acolher estará em muito boas mãos, e na direção certa para obter títulos e conquistas. Só o São Paulo não viu isso. Ao clube, desejo a sorte que o destino lhe reservar. Que seja o que tiver de ser.
sábado, 6 de junho de 2009
O homem dotado do incrível dedo médio autônomo
Grandes cidades implicam em pequenas multidões aonde quer que vamos. Pequenas multidões, via de regra, com baixos níveis de educação e cidadania. Já no ponto de ônibus, o nosso homem começou a se deparar com pequenos gestos e atitudes deselegantes e mesquinhos. Os mesmos, aliás, aos quais já estava habituado.

Não sabia, no entanto, que naquele dia ele não estava sozinho. Apesar de toda a inércia atual da sociedade em relação à falta de educação e respeito ao próximo, sentiu que havia outra pessoa apoiando o seu desagrado com a falta de civilização alheia. Não sei se seria exatamente outra pessoa, talvez, dado a natureza insólita da situação, pudéssemos chamá-lo de outro ser.
O fato é que, já ao perceber um motorista de ônibus que havia passado direto pela parada em que estava, sem prestar serviços, viveu uma experiência inédita em sua vida. O seu dedo médio - até então quietinho, junto com os demais dedos da mão, a qual encontrava-se confortavelmente aninhada no bolso da jaqueta – apresentou uma força e uma atitude inesperadas, erguendo-se no ar de maneira acintosa, em direção ao motorista ignorante.
O homem, visivelmente envergonhado, não sabia literalmente aonde iria enfiar aquele dedo autônomo e tão irascível. Sabia que o motivo que o despertara era lamentável, mas, educado que era, não podia conceber a idéia de colocar o dedo médio em riste a cada contragosto e falta de educação que vivenciasse. Entendeu, desde aquele momento, que por algum motivo inexplicável, seu dedo médio dotara-se de incrível independência e juízo de valores próprios. Sabia que algo inexplicável estava acontecendo, mas continuou tentando manter sua rotina diária.
Ainda no ponto de ônibus, localizado numa avenida de grande movimento e trânsito engarrafado e nervoso, impacientou-se com motoristas que buzinavam a torto e a direito, como se isso fosse magicamente melhorar o tráfego pesado. Novamente, irritado pelas estúpidas e desnecessárias buzinas altas e prolongadas, seu dedo médio o desobedeceu e colocou-se em local bem alto e visível, direcionado a todos os motoristas idiotas que por ali estavam a meter a mão nas malfadadas buzinas.
O homem, dono do dedo, começou a se preocupar com toda aquela independência do seu membro consciente e cidadão, mas tão nervoso e com baixíssima tolerância à estupidez e à ignorância de grande parte dos moradores daquela cidade.
Apesar de alguns xingamentos e de algumas expressões de espanto, recebeu também alguns comentários de apoio ao dedo em riste. Preocupado, conseguiu subir no lotado ônibus que aguardava, apesar da força que teve que fazer para se manter no degrau de entrada.
A partir daí, seu dedo ficou enfurecido e totalmente fora de controle. Levantou-se para as pessoas que insistiam em ficar paradas nos degraus de entrada, impedindo a passagem dos outros e o fechamento da porta.
Levantou-se de novo contra aqueles que estavam bloqueando a catraca, não permitindo que os demais passageiros caminhassem para o fundo do coletivo.
Irritou-se e se fez notar muito claramente para os estudantes que carregavam suas mochilas enormes nas costas, complicando a vida de todos os outros passageiros.
Quando conseguiu um lugarzinho para sentar, do lado do corredor, o dedo independente ficou um pouco mais contido, mas não por muito tempo. Logo em seguida, a pessoa que estava ao seu lado, dormindo até então, acorda e – roboticamente – levanta-se para sair do banco, sem sequer balbuciar um pedido de licença. O homem, acostumado àquilo, foi liberando a passagem, mas o dedo médio não deixou passar batido. Apresentou-se bem na cara do passageiro desligado, em tamanho e forma bem visíveis.
Daí a pouco, o ônibus ainda lotado, o homem começa a ouvir os costumeiros gritos de passageiros que estavam longe da porta de saída e queriam que o motorista esperasse pacientemente até que descessem. Normalmente, os motoristas, já de saco cheio, não costumam dar ouvidos a essa gritaria dos folgados, e segue em frente pisando fundo. O dedo intrometido manteve-se em riste e na direção dos folgados que tentavam chegar à porta de saída.
Quando desceu do inferno sobre rodas em que estava, o homem só precisava atravessar uma avenida para chegar ao seu local de trabalho. Percebeu um grande número de carros parado e tomando conta da faixa de pedestres que utiliza diariamente. Encarou como algo lamentável, mas normal nos dias de hoje. O dedo, claro, não deixou barato, ergue-se e dirigiu-se ostensivamente a todos os motoristas que desrespeitavam a sinalização e os pedestres do local.
Ao chegar à repartição, e deparar-se com toda a preguiça e descaso dos colegas, com as ordens estúpidas e estapafúrdias da chefia, enfim, com toda a maneira equivocada como funciona o serviço público, não deu outra, o dedo irascível manteve-se em riste o tempo todo, poupando pouquíssimos colegas de trabalho. O chato foi quando se levantou até para o diretor da unidade. Por conta das estripulias do dedo irado, o homem foi levado para um sanatório, aonde ainda se encontra internado, fazendo tratamento à base de antidepressivos e calmantes. Todos estranharam aquele surto ter acometido uma pessoa tão calma e paciente. O homem, atualmente, vive letárgico como um autômato. O dedo continua autônomo. Não há remédio que o mantenha sob controle.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
IDOSO: Você ainda vai ser um
Vivendo assim, é claro que os mais velhos, indivíduos que outrora, e em outras civilizações e modus vivendi, eram tidos como fontes de sabedoria e experiência, praticamente deixaram de sê-lo. Passaram a ser quase totalmente ignorados, além de precisarem contar com legislações e normas que lhes garantam aqueles direitos e benefícios que o próprio bom senso (se houvesse) já deveria fazer valerem no dia-a-dia.

Atualmente, percebemos claramente que todos querem viver muito, mas ninguém quer ficar velho. É um paradoxo, mas é isso que vivenciamos em quase todas as esferas de nossa vida.
E para não ficarem velhas (Como se isso fosse possível!), muitas pessoas estão lançando mão de intervenções e métodos, em muitos casos esdrúxulos, para a conservação da força e beleza da juventude.
E haja anabolizante, botox, redução de estômago ao bel prazer, remédios controlados para emagrecer e um monte de outras medidas estapafúrdias que só fazem prejudicar ou desfigurar o corpo humano.
É óbvio que todos devem se preocupar com a saúde e o funcionamento do próprio corpo, mas existem maneiras e maneiras de fazer isso.
Primeiramente, isso não pode virar obsessão, uma coisa a ser alcançada a qualquer custo. Em segundo lugar, a primeira coisa a ser preservada sempre deve ser a saúde e não somente a beleza e estética exteriores. Via de regra, a pessoa saudável costuma ter a melhor aparência possível dentro do seu biotipo. Milagres não existem, embora muitos tentem propagandeá-los por aí. Idiotas daqueles que caem em tais contos do vigário midiáticos e se deixam levar por essas ondas estéticas que têm assolado o mundo moderno.
Resumindo, a maioria das pessoas quer a eterna juventude, mas sem fazer qualquer esforço, lançando mão apenas das técnicas e soluções amalucadas que surgem no mercado e que o dinheiro pode pagar. Apenas uma minoria busca a saúde de maneira consciente e natural.
Não temos como reverter a passagem do tempo, que é inexorável. Precisamos, então, nos aliarmos a ela, aproveitando tudo que nos é propiciado ao longo da vida, em suas diferentes etapas e circunstâncias.
Por tudo isso é que não consigo olhar para um idoso e não me refletir nele, não me ver nele. Ele sou eu amanhã, ou daqui a pouco. Se é que eu terei toda a sorte e energia necessárias para chegar aos 70, 80 anos. Será?
Quando convivemos com crianças não nos lembramos da nossa infância? Quando estamos próximos dos adolescentes não sentimos saudades dos nossos anos verdes? Então por que quando estamos com os velhinhos não paramos para pensar como seremos quando obtivermos a graça de chegar àquela idade?
Já ouvi várias vezes o chamado: Solte a criança que existe em você! Mas será que só temos uma criança dentro de nós? Será que não temos várias pessoas dentro de nós? Algumas que já conhecemos e outras que ainda vamos conhecer?
Disse Machado de Assis que o menino é o pai do homem. Ou seja, desde criança já temos dentro de nós o embrião do homem maduro e do idoso. Se somos tudo ao mesmo tempo, por que haveríamos de não respeitar os cabelos brancos alheios, que um dia serão os nossos?
terça-feira, 12 de maio de 2009
O complexo é ser simples
Tem faltado muita simplicidade no mundo de hoje. Com a nossa atual realidade super, ultra, mega, hiper tecnológica, mercantilizada e conectada em tempo real, não tem sobrado espaço para as coisas simples e pueris da vida.Para tudo que formos fazer na vida, já existem modelos e fórmulas pré-concebidas de como teremos de nos comportar e quais scripts teremos de seguir.
A propaganda – e essa é a função dela – têm cada vez mais roteirizado a vida de todos nós, cidadãos comuns, bombardeados que somos, diuturnamente, pelas campanhas publicitárias e pelas estratégias e jogadas de marketing, que já parecem estar onipresentes em todos os campos e áreas da era moderna.
E para as pessoas dotadas de baixo ou nenhum senso crítico, o bombardeio do marketing pode ser fatal para a capacidade de raciocínio e discernimento.
Há jovens (e muitos maduros também) que começam a se comportar como se a vida atual, ultraconectada e on-line, fosse um eterno reality show.
Pessoas dotadas de precária instrução, mas de muita informação, simplesmente não sabem o que fazer com a última. Querem ser, ou acham que são, instants celebrities, ou seja, pessoas que são populares gratuitamente, sem a necessidade de serem notórias em alguma área do conhecimento humano.

E quando falo em baixa instrução e cultura, não me refiro especificamente às camadas pobres da nossa população, que realmente têm muitas dificuldades de acesso à educação em nosso injusto país. Falo sim, e principalmente, dos jovens ricos e de classe média, que têm se comportado de maneira cada vez mais estúpida e violenta, não dando nenhuma importância às leis ou ao respeito pelo próximo e à vida em sociedade.
Reputo toda essa ignorância, agressividade e pasteurização das pessoas à baixíssima importância que a sociedade moderna tem dado à formação do caráter das nossas crianças e jovens, aliada à altíssima importância que tem sido dada ao consumo desenfreado, desregrado e imposto maciçamente aos nossos pretensos cidadãos.
Mais do que nunca, hoje o que importa é ter, e não ser. Não se pensa mais na essência humana. Apenas na aparência humana. O importante é aparecer sempre bem na foto e parecer ser alguém de bem (ou de bens). Ninguém precisa ser alguma coisa, basta parecer que é alguma coisa. Vivemos a idade da imagem e, nada além dela, parece ter alguma importância. Ande assim. Compre isso. Vista aquilo. Dirija o carro X, que você ficará mais interessante. Adquira a mais nova versão do produto Y. Você não pode ficar de fora dessa jogada. São bordões e slogans repetido como mantras sagrados pela publicidade. E que têm tornado nossa vidas cada vez mais complexas e cheias de necessidades criadas, que logo passam a ser tidas como imprescindíveis.
Divulgam tudo. Promovem tudo. Mercantilizam todo tipo de relações e sentimentos. A única coisa que não vejo ser valorizada é a simplicidade no dia-a-dia das relações humanas. Tudo está ficando complexo demais, chato demais, mecânico demais. Excesso de serviços e produtos dos quais não precisamos. Excesso de profissionais dos quais não precisamos. É a onda dos “personal” pra tudo. Pra se vestir. Pra praticar esportes. Pra se alimentar. E haja gente ganhando dinheiro no mole, com consultorias bestas que não nos ajudam em nada, e das quais ninguém precisa. Apenas maneiras de tornar a vida cada vez mais profissional e roteirizada. Precisamos resgatar a simplicidade, a verdadeira vida simples. Mas do jeito que as coisas vão, está ficando cada vez mais complexo ser simples.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Teseu - O homem do bilau rastreado
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Os grotescos assolam o Brasil - "revisited"
No Brasil, devido a várias circunstâncias históricas e geográficas, temos o ambiente propício à proliferação dos grotescos. Na minha concepção, os grotescos surgem quando não possibilitamos a formação de verdadeiros
cidadãos. Eles são os não-cidadãos. Criados no vácuo formado pela falta de boas políticas educacionais e outras deformações econômicas e sociais surgidas no Brasil desde o seu descobrimento e colonização. O Brasil atual é campo fertilíssimo para a procriação desenfreada de grotescos. E não pensem os leitores que os grotescos são apenas pessoas desprovidas de educação formal. Não, há um número altíssimo de grotescos pós-graduados e pós-doutorados que perambulam por várias esferas decisórias do poder constituído. Brasília é um centro irradiador de grotesquices, talvez o maior deles. Em Brasília, os políticos têm feito da vida pública uma extensão da privada. Oligarquias e monopólios industriais também contribuem enormemente para a manutenção da grotesquice em nosso país. A grande mídia televisiva e escrita também tem os seus representantes pró-grotesquice que não fazem nada para melhorar os níveis de cidadania e consciência do nosso povo. Muito pelo contrário, há décadas que atuam apenas para garantir as benesses já conquistadas pela minoria mandante. Enfim, grotescos existem aos borbotões, e assolam as ruas, empresas, universidades, hospitais, ou seja, todas as instâncias e lugares desse enorme país. Atualmente, por onde quer que andemos, vemos demonstrações de toda sorte de grotesquices, seja pela falta de educação, seja pela ausência total de solidariedade com as outras pessoas, seja pelo egoísmo e pela mesquinharia. Basta tomarmos como exemplo mais gritante a conduta da
maioria dos brasileiros no trânsito, onde o desrespeito a tudo e a todos grassa vergonhosamente.
Temos muito a falar sobre grotescos e grotesquices, mas fica para outras oportunidades, pois o material infelizmente é farto e já foi objeto de um manual elaborado por esse seu criado. A minha intenção é abrir a discussão sobre esta realidade, que acredito afetar aos leitores tanto quanto a mim.
terça-feira, 21 de abril de 2009
DASPU: Eles tão de olho na Putique dela

segunda-feira, 13 de abril de 2009
O Nhonho nunca será um "cool"
O cool já nasce assim. É aquele que não precisa fazer força para agradar. As roupas sempre lhe caem bem, mesmo que não sejam as da última moda.
O cool, geralmente, é o centro das atenções por onde passa. Tem carisma, autenticidade, frescor. As mulheres se derretem por ele, mesmo antes de saberem se tem conteúdo ou não.
O cara cool é normalmente aquele relacionado com os modismos mais atuais. É lembrado para falar sobre os assuntos mais interessantes do momento. Também é muito lembrado para prestigiar os eventos mais descolados.
Ou seja, forma-se uma aura em volta do cool, e ele passa a viver acima do bem e do mal. Muitas vezes vira até unanimidade. Mas é aí que mora o perigo. Já dizia Nelson Rodrigues que "toda a unanimidade é burra".
O Nhonho não. O Nhonho é o anti-cool. O Nhonho é o sujeito que por mais que se esforce está sempre por fora. Pouco ou nada dotado de charme e carisma, o Nhonho é sempre o último a ser lembrado para qualquer coisa interessante que os outros inventem de fazer. Todos acham que a aparente falta de glamour do Nhonho o desqualifica para participar de baladas descoladas, vernissages, lançamentos musicais, peças teatrais. Ou seja, sempre que tem coisa interessante na parada, o Nhonho é completamente alijado.
Ninguém nem se importa em perguntar quais os gostos musicais do Nhonho, e quando alguém arrisca um palpite, logo chuta que ele deve curtir sertanejo, jovem guarda ou Raul Seixas. O Nhonho jamais poderia curtir um som mais cool ou cabeça como Smiths, Snoop Doggy, Seu Jorge ou Coldplay. Não, nhonhos, por princípio, só curtem coisas caipiras ou populares ao extremo.
Falei em Snoop Doggy, porque assisti, nesta manhã, ao clipe da música "Beautiful", no qual ele teve a feliz ideia de gravar no Rio de Janeiro, no maior astral, com lindas figurantes brasileiras, e na esmagadora maioria, morenas . Esse cara é cool. A música é de bom gosto, a atmosfera do clipe também, e ele lá, juntamente com Pharrell, se dando muitíssimo bem.
Pois bem, ninguém jamais relacionaria aquele clima cool a um nhonho. Ali é só para descolados, que sabem viver como tal.
Não adianta, o Nhonho pode ter cultura, pode conhecer das coisas. Mas ninguém nunca irá abordá-lo para uma conversa cool. O Nhonho nasce com a cara de nhonho, jeitão de nhonho e, na maioria dos casos, bondade do nhonho. É aí que todos se aproveitam, ou querem se aproveitar dele. Se têm um pepino para descascar, logo lembram do pobre Nhonho.
Mas ainda acredito, todo nhonho tem um cara cool dentro dele. Só não sabe como externá-lo. Longa vida aos nhonhos de bom coração!

